Brasil
06/11/2008 - 17h26

Ministro-relator do STF vota a favor de habeas corpus para Daniel Dantas

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Eros Grau, do STF (Supremo Tribunal Federal), saiu em defesa do presidente do tribunal, Gilmar Mendes, no episódio em que concedeu dois habeas corpus ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, que lhe permitiu deixar a cadeia em julho deste ano --quando foi preso pela Polícia Federal na Operação Satiagraha. O plenário do tribunal julga hoje o mérito da decisão de Mendes, a pedido do Ministério Público.

Grau, que é relator da ação, fez duras críticas à decisão da PF de prender Dantas sem ter "provas concretas" de seu envolvimento nas irregularidades descobertas na Satiagraha. O ministro chegou a afirmar que a PF fez uma "devassa" na casa de Dantas para tentar encontrar provas para incriminá-lo.

Segundo o ministro, os agentes conseguiram apenas reunir dois "papelotes" que supostamente comprovariam o envolvimento do banqueiro no caso, mas que datavam de 2004.

Com críticas às recentes operações da PF, Grau lembrou que o próprio gabinete vizinho de Mendes no STF teria sido monitorado ilegalmente, a mando dos policiais federais. "A prisão veio a ser decretada a pretexto de se remexer a residência [de Dantas]. Se encontrou dois pedaços de papel, dois papelotes. E as agressões a nós todos, e o gabinete de Vossa Excelência sendo invadido pela bisbilhotagem? Querem nos intimidar. Não sabem que não se ocupa por acaso essas cadeiras [do Supremo]", reagiu Grau.

O ministro disse que teria agido de forma similar a Mendes ao afirmar que ao STF cabe interpretar a Constituição Federal com a "sabedoria" do Poder Judiciário. "As baionetas da ditadura não conseguiram lograr essa Corte. A nós cabe o dever de exercer com sabedoria nosso poder. Concedo o habeas corpus nos exatos termos de Vossa Excelência", disse o relator.

A análise dos habeas corpus pelo STF não tem efeito prático, mas político, uma vez que as prisões de Dantas foram temporárias --duraram apenas cinco dias. O plenário do STF julga o mérito dos habeas corpus a pedido do Ministério Público, que afirma que Mendes errou ao atropelar "a ordem dos processos nos tribunais", decidindo sobre algo que não fora apreciado pelas instâncias inferiores.

A expectativa é que o plenário mantenha os habeas corpus de Mendes, uma vez que a maioria dos integrantes da Corte já se manifestaram favoravelmente à decisão do presidente do STF.

Comentários dos leitores
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
É uma falta de respeito com nos paraence o que o Bancario esta fazendo. nosso estado não deve se cala diante de tanta omilhação, temos que nos valorizar, somos pequenos diante dele mas somos capazes. 2 opiniões
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Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Em qualquer país decente do mundo um delegado como esse que foi afastado já estaria preso. Mas no Brasil parece que ele vai virar herói, no que depender, é claro, dos paladinos da moralidade (alheia, é claro). No mais, parabéns ao STF e ao CNJ, que têm corrigido os delírios de alguns juízes que ainda pensam ser deuses, mas estão aprendendo, em público e para o país todo ver, que manda quem pode e obedece quem tem juízo. É isso, simples assim, queiram ou não algumas viuvinhas. 15 opiniões
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