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Brasil
07/11/2008 - 12h09

Protógenes diz que buscas e julgamento de recurso de Dantas foram uma "ação casada"

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que comandou a Operação Satiagraha, disse nesta sexta-feira que foi uma "ação casada" o cumprimento de mandados judiciais de busca e apreensão nos locais onde ele mantém residência. Segundo o delegado, a ordem ocorreu no momento em que o STF (Supremo Tribunal Federal) julgaria o habeas corpus do banqueiro Daniel Dantas.

De acordo com Protógenes, a presença de Daniel Dantas tende a "tumultuar" investigações. "Ele [Dantas] é uma pessoa que tem muitos segredos", afirmou o delegado, que está em Brasília e faz palestra para estudantes de uma das principais universidades particulares da capital federal.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão no apartamento do delegado, alugado em Brasília, no quarto de hotel que costuma ocupar em São Paulo e no apartamento de seu filho, no Rio, segundo reportagem publicada ontem na Folha.

De acordo com a reportagem, as buscas também tiveram como alvo residências de outros policiais federais que atuaram na Operação Satiagraha.

Em julho, a Operação Satiagraha levou à prisão o banqueiro Daniel Dantas e outros executivos do banco Opportunity, além do investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (PTB).

Críticas

Protógenes afirmou ainda ter informado a seus superiores sobre a importância das investigações da Satiagraha. Para ele, o que há são interesses políticos que visam a proteção do governo. "O momento político é de proteger o governo", afirmou o delegado, antes da palestra para os universitários.

O delegado disse também que, ao avisar sobre os desdobramentos das investigações, informou que elas poderiam provocar "rachas" no país. "Quando eu preparava a Satiagraha falei que era uma operação que ia rachar o país. E, rachou", afirmou ele.

Protógenes foi afastado do comando da Satiagraha ainda durante as investigações. Na ocasião, a direção da PF informou que ele deixou a operação por vontade própria. Mas o delegado desmentiu e desde então costuma dar declarações contundentes sobre o assunto.

A participação de Protógenes na Satiagraha levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a se envolver diretamente no tema. Ele convocou reuniões no Palácio do Planalto com o ministro Tarso Genro (Justiça) e policiais federais. Para o presidente, o delegado deveria apresentar sua versão para os fatos publicamente, cobrando satisfação dele.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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