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Brasil
10/11/2008 - 08h42

TRF julga hoje saída de juiz De Sanctis do caso Dantas

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LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo

A pedido de Daniel Dantas, o Tribunal Regional Federal da 3ª Região em São Paulo começou a julgar o pedido de afastamento do juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, do processo em que o banqueiro é acusado de corrupção.

O julgamento de De Sanctis será retomado hoje pela 5ª Turma do TRF. O primeiro voto, de três desembargadores, foi proferido na semana passada. A relatora do caso, Ramza Tartuce, se posicionou de forma favorável ao magistrado.

A defesa de Dantas questiona a imparcialidade do juiz para seguir no processo e já dá como certa a condenação do banqueiro. Sustenta que De Sanctis trabalhou alinhado ao delegado federal Protógenes Queiroz, que coordenou a Operação Satiagraha e depois foi afastado do caso pela cúpula da Polícia Federal, e ao procurador da República Rodrigo de Grandis.

Hoje, o desembargador Peixoto Júnior, que pediu prazo na semana passada para estudar a questão, deverá apresentar seu voto. Existe a possibilidade de ele pedir mais uma semana para analisar o processo. O terceiro desembargador votante será André Nekatschalow.

A opinião da Turma sobre o polêmico caso Dantas foi antecipada em outro julgamento há cerca de 20 dias, quando os desembargadores se manifestaram sobre a segunda ordem de prisão decretada por De Sanctis contra o banqueiro.

Essa segunda prisão foi concedida menos de 48 horas depois de o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, ter autorizado a soltura de Dantas. A detenção foi vista como uma afronta por Mendes e repudiada pelos demais ministros do STF, que, na semana passada, ao julgarem a decisão do presidente do Supremo, por nove votos a um, a mantiveram.

O advogado de Dantas, Nélio Machado, entrou no TRF alegando a nulidade dessa segunda prisão. Os três desembargadores se reuniram e entenderam, por dois votos a um, que De Sanctis estava correto. O único voto contrário ao juiz foi o de Peixoto Júnior.

Se os desembargadores entenderem que De Sanctis não pode continuar, o processo será remetido a outro juiz.

Dantas, que é investigado pela PF por supostos crimes financeiros, é réu em um processo criminal por supostamente ter oferecido propina de US$ 1 milhão a um delegado da PF, durante as investigações da Satiagraha, para que o nome dele fosse retirado do caso. O processo está em fase final.

Na semana passada, ao criticar a busca e apreensão que sofreu em sua casa, Protógenes se disse vítima de uma perseguição movida por um "banqueiro bandido" e afirmou que o juiz condenaria o banqueiro.

A Folha apurou que essa declaração do delegado desagradou a De Sanctis, que a interpretou como uma ingerência sobre seu trabalho.

O inquérito que apura supostos excessos praticados por Protógenes durante a Satiagraha passou pela mesa de De Sanctis e foi remetido ao juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal, que autorizou as medidas contra o delegado.

No TRF, no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no STF tramitam pelo menos 29 recursos iniciados por advogados de Dantas ou de outros acusados no caso Satiagraha questionando decisões de De Sanctis e pedindo a saída dele do caso.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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