Tarso diz que indiciamento de delegado Protógenes não prejudicará investigação Satiagraha
CIRILO JUNIOR
da Folha Online, no Rio
O ministro Tarso Genro (Justiça) disse hoje que o possível indiciamento do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz faz parte do estado democrático. Protógenes --que comandou a primeira fase da Operação Satiagraha-- deve ser indiciado pela PF por suposta quebra de sigilo funcional e interceptação de comunicações telefônicas e telemáticas sem autorização judicial.
Tarso afirmou que não vê problema nenhum no indiciamento. "É normal. É uma investigação como outra qualquer e não prejudica em nada a Satiagraha."
| 07.nov.2008/Folha Imagem |
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| Protógenes Queiroz deve ser indiciado pela PF por suposta quebra de sigilo funcional |
O ministro negou que o indiciamento tenha o objetivo de intimidar os agentes da PF e Abin (Agência Brasileira de Inteligência) que trabalharam com Protógenes na Satiagraha. "É uma investigação normal. Não há interferência nem intimidação. Pelo contrário, dá tranqüilidade para os policiais e para sociedade porque se vê que a PF cuida dos seus."
Tarso disse que Protógenes pode sair fortalecido se não ficar provado contra ele. Mas que pagará por eventuais erros. "Se o delegado Protógenes não cometeu nenhum erro, sairá fortalecido. Se cometeu, vai responder perante à Justiça. É normal, faz parte do estado de direito democrático."
Ao responder sobre as críticas do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, às operações da PF, Tarso afirmou que a organização tem autonomia nas suas investigações. "Temos que nos acostumar que temos uma polícia com autonomia para funcionar dentro da lei e ela não poupa esforços para investigar nem que seja o seus."
Buscas
Na semana passada, a PF cumpriu mandados judiciais de busca e apreensão no apartamento do delegado Protógenes Queiroz, alugado em Brasília, no quarto de hotel que costuma ocupar em São Paulo e no apartamento de seu filho, no Rio.
As buscas também tiveram como alvo casas de outros policiais federais que atuaram na Operação Satiagraha.
Em julho, a operação levou à prisão o banqueiro Daniel Dantas e outros executivos do banco Opportunity, além do investidor Naji Nahas e do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta.
Reportagem da Folha informa que os policiais levaram um notebook, o telefone celular e um rádio usados por Protógenes, e o quarto do hotel foi revirado pelos policiais, que disseram buscar evidências de vazamento da Satiagraha.
Em nota oficial, a PF afirma que cumpriu "em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo mandados de busca e apreensão expedidos pela Justiça Federal de São Paulo no interesse das investigações sobre o vazamento de dados sigilosos da Operação Satiagraha".
Segundo a PF, a investigação sobre vazamentos é presidida "por autoridades da corregedoria geral" da PF, ligada à direção geral do órgão, em Brasília.
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