Tião Viana nega sofrer restrições do PMDB no Senado e diz que buscará "entendimento"
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Candidato pelo PT à presidência do Senado, Tião Viana (AC), negou nesta segunda-feira que sofra restrições de integrantes do PMDB ao seu nome. Otimista, informando que seu perfil de médico o faz ter essa disposição permanente, o petista afirmou que vai trabalhar pelo "entendimento" com os peemedebistas em busca de uma única candidatura à sucessão do senador Garibaldi Alves (PMDB-RN).
"Por que iria me desanimar? Não vejo necessidade disso. Não é fato [que existam restrições ao seu nome no PMDB]. São notas plantadas e que fazem parte do processo político. Acredito que o entendimento vai falar mais alto", afirmou Viana, um dos poucos parlamentares presentes hoje no Congresso.
Determinado a construir a unidade, ele passou a conversar pessoalmente com cada um dos 80 senadores. Segundo ele, a idéia é mostrar que o ideal para o fortalecimento do Senado é evitar a disputa e partir para a coesão da candidatura única.
Ao ser questionado se manteria sua candidatura em caso de disputa, o petista desconversou. Para ele, a possibilidade não deve ser colocada no momento. "Acredito no entendimento. O PMDB é um partido maduro. E nós temos o dever de assegurar o equilíbrio partidário", afirmou Viana, insinuando que o acordo ideal é o PMDB ficar com o comando da Câmara e o PT com o do Senado.
Porém, nos bastidores, peemedebistas, como os senadores Renan Calheiros (PMDB-AL) e Roseana Sarney (PMDB-MA), líder do governo no Congresso, articulam o lançamento de José Sarney (PMDB-AP) como candidato à presidência do Senado.
Na última quinta-feira (6), Sarney e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conversaram sobre a eventual disputa. De acordo com o blog do Josias, Sarney defendeu uma solução política e negociada para a disputa que envolve o PMDB e o PT. Oficialmente, ele nega o desejo de retornar ao comando do Senado.
No entanto, Renan já informou aos peemedebistas que não aceita o nome de Viana, a quem atribui parte de sua renúncia à presidência do Senado --quando foi alvo de acusações por uso de recursos de uma empreiteira para pagar despesas pessoais.
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