Brasil
10/11/2008 - 16h58

De Sanctis diz acreditar em sua permanência no caso Dantas e afirma que juiz não é "esponja"

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LUÍSA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio
da Folha de S.Paulo, no Rio

O juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal, afirmou nesta segunda-feira não acreditar na possibilidade de seu afastamento do processo em que o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, é acusado de corrupção.

12.ago.2008/Folha Imagem
De Sanctis diz que juiz não é "esponja" e que acredita em permanência no caso
De Sanctis diz que juiz não é "esponja" e que acredita em permanência no caso

Em tom de desabafo, De Sanctis disse que o "juiz não pode ser esponja". "O juiz não é um computador, uma esponja, que absorve a jurisprudência e deixa fluir. Eu me recuso a ser esponja", declarou o juiz, em palestra nesta segunda-feira para universitários no Rio.

Ele afirmou ainda que o uso de grampos telefônicos é o "caminho" para as investigações sobre crime organizado. "O crime organizado só é investigado quando o Estado tem de usar uma medida que é mais invasiva. Não tem jeito", afirmou o juiz, muito aplaudido ao fim da palestra. "Ou o Judiciário se legitima para fazer Justiça, seja qual for, contra quem quer que seja, ou perde a razão de ser", reiterou.

De Sanctis disse acreditar que o "crime econômico" é muito mais lesivo que os de roubo ou furto. "Começa a existir certa consciência coletiva de que o crime econômico é muito mais lesivo, muitas vezes mais do que um crime como o de roubo ou furto. Às vezes, o econômico corrói e destrói mais o Estado de Direito."

Julgamento

O TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região em São Paulo adiou o julgamento do pedido de afastamento do juiz De Sanctis do processo em que Dantas é acusado de corrupção.

Segundo a assessoria do TRF, o julgamento, que seria retomado hoje, não entrou na pauta. O primeiro voto, de três desembargadores, foi proferido na semana passada. A relatora do caso, Ramza Tartuce, se posicionou de forma favorável ao magistrado.

A defesa de Dantas questiona a imparcialidade do juiz para seguir no processo e já dá como certa a condenação do banqueiro. Ela sustenta que De Sanctis trabalhou alinhado ao delegado federal Protógenes Queiroz, que coordenou a Operação Satiagraha e depois foi afastado do caso pela cúpula da Polícia Federal, e ao procurador da República Rodrigo de Grandis.

Na semana passada, Protógenes denunciou a existência de uma articulação supostamente comandada por Dantas para afastar De Sanctis das investigações. O delegado disse que o juiz vai ser afastado do caso porque pretende expedir, nos próximos dias, sentença condenando o banqueiro por crimes de gestão fraudulenta e corrupção.

"São dois pedidos de suspeição que estão tramitando e há uma discussão de cúpula com intuito de macular um trabalho isento, um trabalho digno e honesto de um juiz com a capacidade técnica à altura do que a magistratura brasileira merece e há esse intuito de tentar afastá-lo", disse o delegado.

Protógenes afirmou que existe um "estratagema sórdido" articulado por Dantas para impedir que o juiz continue no caso. O delegado atribui às articulações do banqueiro os mandados de busca e apreensão realizados em sua residência, na semana passada, pela Polícia Federal.

"Essa busca e apreensão é um estratagema sórdido implantado pelo seu Daniel Dantas para poder confundir os trabalhos da investigação da [Operação] Satiagraha, que ele é o alvo principal, e nós investigadores passamos a ser investigados, passamos a ser acusados de crimes que nós não cometemos", afirmou.

Protógenes disse que, se De Sanctis for afastado do caso, a Justiça vai acabar por não condenar o banqueiro. "Nos próximos dias o doutor Fausto De Sanctis vai expedir uma sentença que eu tenho certeza que vai ser condenatória. Tenho certeza que o doutor Fausto De Sanctis vai dar uma sentença a altura do que a sociedade esta esperando", afirmou.

Caso

O juiz foi responsável por decretar as duas prisões temporárias de Dantas durante a Operação Satiagraha. O banqueiro foi solto, nas duas ocasiões, após habeas corpus concedidos pelo presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes.

O plenário do STF referendou na semana passada os habeas corpus de Mendes com críticas à PF e ao juiz --a quem os ministros acusaram de "insolente" por ter desrespeitado a primeira decisão do STF, Corte de maior instância.

Outro lado

O advogado de Dantas, Nélio Machado, classificou como "delírio" a afirmação de Protógenes sobre a existência de uma articulação supostamente comandada pelo banqueiro para afastar o juiz De Sanctis das investigações da Operação Satiagraha.

Segundo Machado, o delegado age com uma postura "incompatível" com as leis do país. "O delegado não tem atribuição judiciária. Ele se excede e compromete mais ainda o trabalho que fez."

O advogado disse ainda que, se Dantas tivesse tantos poderes como afirma o delegado, não estaria na "luta de enfrentar leões".

Machado disse também que Protógenes deveria se preocupar com a sua defesa no inquérito que apura vazamentos da Operação Satiagraha, ao invés de "atacar outras pessoas", como Dantas.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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