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Brasil
10/11/2008 - 20h22

Acusado de mandar matar Dorothy Stang quer comprar lote de terra onde crime ocorreu

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BRENO COSTA
da Agência Folha

O pecuarista Regivaldo Pereira Galvão, conhecido como Taradão e que responde em liberdade a processo em que é acusado de ser mandante do assassinato da missionária Dorothy Stang, em 2005, está tentando adquirir uma área em litígio de 500 hectares em Anapu (750 km de Belém), no mesmo lote onde a freira foi morta.

O fazendeiro apresentou proposta por parte do chamado lote 55 a Ulai Batista Nogueira, chefe da Unidade Avançada do Incra (Instituto de Colonização e Reforma Agrária) em Altamira, em reunião de 40 minutos realizada em 28 de outubro.

De acordo com a ata da reunião, Regivaldo ofereceu ao Incra, para assentar posseiros, uma área de vegetação nativa supostamente sua, de 2.500 hectares, no mesmo lote, em troca da área de pasto.

Regivaldo sempre negou ter a posse desses 2.500 hectares, mas na reunião disse "que realizou benfeitorias no lote e que tem como provar que a área não é grilada". O Ministério Público Federal informou que vai investigar se o fazendeiro está ocupando ilegalmente o lote.

A reportagem tentou contato com o pecuarista, mas, segundo sua mulher, Rosângela Galvão, ele estava ocupado em uma reunião. De acordo com ela, foram os próprios assentados no PDS (Projeto de Desenvolvimento Sustentável), idealizado por Dorothy Stang, que procuraram seu marido.

O objetivo dos assentados, diz ela, era convencer Regivaldo a apresentar ao Incra proposta idealizada por ele "muito tempo atrás", em que cada fazendeiro da região doaria um pedaço de sua terra ao órgão.

A Folha não conseguiu contatar Ulai nem o padre Amaro Lopes, que coordena o PDS no lugar de Dorothy.

A ata da reunião indica que Ulai alertou sobre o fato de a área estar sub judice e que ele não teria competência para decidir sobre a proposta e levaria "o aqui proposto ao superintendente regional [do Incra, em Belém] para análise".

Dias depois, a ata vazou para movimentos sociais locais, que entregaram o documento no último sábado ao procurador da República Felício Pontes Júnior. Ele declarou que irá pedir à Polícia Federal a abertura de inquérito para investigar eventual negociação de terras públicas.

Regivaldo é acusado de, junto com o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida, ter encomendado a morte da missionária por disputa pela posse do mesmo lote 55.

Bida, que recebeu de Regivaldo a posse do lote, foi inocentado das acusações pelo Tribunal do Júri em maio deste ano, depois de ter sido condenado a 30 anos em um primeiro julgamento, em 2007.

 

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