Brasil
11/11/2008 - 13h11

Celso Pitta pedirá indenização de R$ 830 mil por danos morais sofridos na Satiagraha

Publicidade

TATHIANA BARBAR
da Folha Online

O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta informou nesta terça-feira à Folha Online que pedirá na Justiça indenização de 2.000 salários mínimos por danos morais sofridos durante sua prisão na Operação Satiagraha, da Polícia Federal.

O valor da indenização corresponde a R$ 830 mil. Durante a Satiagraha, o ex-prefeito foi flagrado por câmeras em sua residência, de pijamas, ao ser preso, algemado, pela PF.

Rogério Cassimiro/Folha Imagem
Celso Pitta pedirá indenização de R$ 830 mil por danos morais sofridos na Satiagraha
Celso Pitta pedirá indenização de R$ 830 mil por danos morais sofridos na Satiagraha

Na operação, foram presos, Pitta, o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas, entre outras pessoas.

Os três acusados foram libertados após o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, conceder habeas corpus em favor dos suspeitos. Na decisão, Mendes considerou "desnecessária" a prisão, pois não havia ameaça às provas colhidas durante a operação.

À época da Satiagraha, realizada no dia 8 de julho, Mendes classificou de "espetacularização" a ação da PF.

Pitta foi prefeito de São Paulo entre 1997 e 2000, após ser secretário de Finanças na gestão anterior, de Paulo Maluf. Em março de 2000, sua ex-mulher, Nicéa Pitta, o acusou de participar de um esquema de corrupção --que foi conhecido como o "escândalo dos precatórios".

Os desdobramentos deste caso fizeram com que ele perdesse o cargo na Justiça em maio daquele ano, recuperando a posição 18 dias depois. Depois tentou, sem sucesso, se eleger deputado federal por duas vezes.

Satiagraha

Segundo a PF, as investigações da Satiagraha começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos.

Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Comentários dos leitores
Claudio Rocha (240) 10/11/2009 15h13
Claudio Rocha (240) 10/11/2009 15h13
Assim como é um tremendo mal exemplo e passa uma informação distorcida a sociedade a postura da uniban expulsando a aluna depois de ter sido hostilizada, também este episodio de demitir o delegado Protogenes após ter presidido inquirito contra alguem tão poderoso e com tantas ramificações como esse D.D. passa uma mensagem muito estranha a sociedade...Enfim, apesar de serem episodios diferentes no inconsciente coletivo o nivel de avaliação e praticamente o mesmo. sem opinião
avalie fechar
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Não sei se o Delegado Protógenes vai dar certo como político..., parece que gente "honesta e ética"..., não é benvinda em nenhum dos poderes. sem opinião
avalie fechar
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Até onde, ser correto, honesto, investigativo, leal, imparcial, honrando sua Instituição, o Dr. Protógenes Queiroz, Delegado de Polícia Federal, pode ter "pecado", em suas apurações, no caso em questão? Culpado por ter apurado ao "fundo do poço", colhendo provas, e propondo indiciamentos no caso Satiagraha? Atingiu quem não deveria? Ou seja, "riscou um palito de fósforo, no palheiro"? Que crime cometeu, o Dr. Protógenes? Que Brasil é esse, onde o crime impera, e quando homens do bem, combatem o mal, são cercados e vilipendiados em suas atitudes e decisões? Coma fazer polícia, com mãos atadas? Onde está o direito delegado à Autoridade Policial, para apurar, indiciar, e mandar a Juízo, os envolvidos em crimes e falcatruas, para que o Magistrado, às duras penas da Lei, julgue e condene? Quando as causas preocupam os atingidos, começo a ficar preocupado, não sei o que fazer. Política não deve ser misturada com Polícia, cheira mal. Toda intervenção numa investigação, absolve o culpado. Creio plenamente, que o sr. Ministro Tarso Genro, coerente, sábio, saberá interpretar, as Leis, o anseio do povo por Justiça. O Brasil precisa de homens íntegros, probos, de moral ilibada, para seguir adiante, na caminhada, como um verdadeiro líder do Continente Sulamericano, assim, esperamos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo, Brasil. 3 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (4908)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca