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Brasil
11/11/2008 - 20h57

PF vai abrir inquérito para investigar reunião de Taradão com funcionário do Incra

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BRENO COSTA
da Agência Folha

A Polícia Federal anunciou que vai abrir inquérito nesta quarta-feira (12) para apurar o conteúdo da ata de uma reunião realizada no fim de outubro entre o fazendeiro Regivaldo Pereira Galvão, o Taradão, e o chefe da unidade do Incra em Altamira (PA).

Regivaldo é acusado de ser um dos mandantes da morte da missionária Dorothy Stang, em fevereiro de 2005, em Anapu (750 km de Belém). Ele chegou a ser preso, mas responde ao processo em liberdade.

No encontro, ocorrido no dia 28 de outubro e que durou 40 minutos, Regivaldo, segundo a ata do encontro, declarou como sua uma área de 2.500 hectares dentro do lote 55 (de 3.000 hectares) da Gleba Bacajá, dentro do município de Anapu.

Regivaldo disse, de acordo com a ata, que "realizou benfeitorias no mencionado lote e que tem como provar que essa terra não é grilada".

Foi nesse mesmo lote que Dorothy Stang foi assassinada. Ela desenvolvia um projeto de desenvolvimento sustentável com assentados na área, que era cobiçada por pecuaristas.

Os ministérios públicos Federal e Estadual, além da Comissão Pastoral da Terra, interpretaram a declaração registrada em ata como uma real possibilidade de guinada no caso --que já teve outro acusado de encomendar o crime absolvido, o fazendeiro Vitalmiro Bastos de Moura, o Bida.

Regivaldo sempre sustentou que havia passado a posse da área para Bida e que não tinha mais qualquer relação ou interesse no lote 55. Por essa razão, não tinha motivo para encomendar a morte da irmã Dorothy. A ata, no entanto, contradiz sua argumentação.

O promotor Édson Souza, responsável pelo caso, afirmou que a ata "vem reforçar aquilo que ele [Regivaldo] sempre negava" e disse que vai aguardar a conclusão do inquérito policial para anexá-la aos autos do processo judicial.

A reportagem tentou contato durante todo o dia de ontem com Regivaldo, em seu telefone celular, sua residência e seu trabalho. Foi informada de que ele estava em reuniões e, depois, que havia viajado para uma fazenda no interior. A reportagem também não conseguiu contato com o advogado dele, que não ligou de volta.

Pedido

A mulher de Regivaldo, Rosângela Galvão, disse que o encontro foi motivado por um pedido feito por assentados do lote 55 a Regivaldo. A advogada da CPT, Élcia Betânia, disse que apenas dois assentados em um universo de 30 famílias acompanharam Regivaldo.

Na reunião, de acordo com a ata, Regivaldo propôs, sem sucesso, a troca de uma área de 2.500 hectares de vegetação, que disse ser sua, por uma outra área de pasto de 500 hectares, no mesmo lote 55.

Sobre a motivação dessa tentativa de negociação, Rosângela disse que era uma proposta de "muito tempo atrás" feita por seu marido, no sentido de que fazendeiros da região doassem parte de suas terras para a promoção de assentamentos.

O procurador da República em Altamira, Alan Mansur, que pediu a abertura de inquérito, disse que o objetivo da investigação é apurar o grau de envolvimento de Regivaldo com o lote 55 e a eventual negociação de terras públicas.

 

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