Aécio diz que aliança com PT ainda será compreendida
PAULO PEIXOTO
da Agência Folha, em Belo Horizonte
Dezesseis dias após o término da disputa eleitoral, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), na primeira solenidade oficial ao lado do prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, disse acreditar que, "com o tempo", a aliança eleitoral que fez com o PT ainda será "compreendida" fora da capital mineira.
Aécio e Pimentel se encontraram em uma inauguração de trecho de obra viária na região norte da cidade, em parceria com as três esferas de governo. O prefeito voltou a chorar quando Aécio discursou e fez elogios ao petista --ele já havia chorado em setembro, em ato da campanha de Marcio Lacerda (PSB), o prefeito eleito com o apoio de Aécio e Pimentel.
Aécio discursou e disse que eles estavam ali "celebrando o início de uma nova forma de se fazer política, compreendida por muitos, felizmente pela ampla maioria dos belo-horizontinos, mas ainda incompreendida por tantos".
"Acredito que, com o tempo, saberão perceber que aquilo que se constrói no campo político, no campo administrativo em Belo Horizonte, tem um objetivo que se sobressai, se sobrepõe em relação a todos os outros, que é a melhoria da qualidade de vida daqueles que temos a responsabilidade de administrar como prefeito municipal ou como governador do Estado", disse o governador.
Pimentel ainda é muito cobrado no PT por ter feito a inusitada aliança com o PSDB, partidos rivais no plano nacional. Em setembro, quando chorou, ele chegou a dizer que pagava um "custo alto" por isso.
Aécio, por sua vez, é cobrado no PSDB nacional a assumir a oposição a Lula para que tenha chance na disputa interna pela indicação do candidato tucano a presidente, em 2010.
Coincidência ou não, na semana passada ele voltou a criticar a gestão Lula em encontro com deputados tucanos no Congresso. Mas ele nega que tenha feito críticas que já não tenham sido feitas por ele.
Crise
No plano administrativo, Aécio anunciou nesta terça-feira medidas para ajudar as empresas a enfrentar a falta de crédito por causa da crise financeira.
Além de prorrogar prazos para recolhimento de tributos, o BDMG (banco de fomento do Estado) oferecerá cerca de R$ 470 milhões em crédito às empresas --R$ 300 milhões são novos recursos.
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