Deputados aliados conseguem evitar convocação de Greenhalgh por CPI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A CPI das Escutas Clandestinas da Câmara rejeitou nesta quarta-feira por dez votos a quatro o requerimento de convocação do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh para prestar depoimento à comissão sobre as supostas informações privilegiadas que teria recebido durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal. A base aliada do governo na Câmara reuniu maioria na CPI para evitar a aprovação do requerimento, uma vez que Greenhalgh é aliado do Palácio do Planalto.
O advogado é acusado de receber informações da Operação Satiagraha pelo chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Gilberto Carvalho. Greehalgh foi advogado do grupo Opportunity durante a Satiagraha, mas foi acusado pelo delegado Protógenes Queiroz de integrar o grupo desbaratado pela PF durante a operação.
O relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), se manifestou contra a aprovação do requerimento de convocação de Greenhalgh. "Não considero que esse requerimento não tenha pertinência com essa CPI porque o ex-deputado teve uma de suas conversa telefônicas interceptada durante a Operação Satiagraha. Mas não vejo o que o depoimento possa trazer de contribuição para os trabalhos desta CPI", afirmou.
O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), autor do requerimento, criticou a manobra dos governistas para impedir o depoimento de Greenhalgh.
"Trata-se de pedir informação de um ex-deputado, candidato à presidência da Câmara, que falou com o chefe de gabinete do presidente para tratar de assuntos privados. Isso é um fato que não deve ser encarado com naturalidade. Não se pode achar que isso é algo usual na vida de um país. Precisamos saber do advogado os fatos investigados na Satiagraha que não têm relação com o Daniel Dantas", afirmou o tucano.
A oposição, que apresentou requerimento de convocação de Greenhalgh, também tinha como objetivo apurar sua atuação como representante dos interesses do grupo Opportunity na negociação com o governo e os fundos de pensão na venda da Brasil Telecom para a Oi (Telemar).
A CPI apura a existência de grampos clandestinos na venda de empresas de telefonia, com o objetivo de aprofundar as investigações sobre a suposta realização de escutas telefônicas pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Operação Satiagraha.
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