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Brasil
14/11/2008 - 08h53

Ninguém está imune a investigação, diz Lula

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MARCELO NINIO
enviado especial da Folha a Roma

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva descartou ontem uma intervenção do governo nas investigações sobre a Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Questionado sobre a suposta ilegalidade da participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na operação, o presidente disse que é preciso deixar que a Justiça siga o seu curso.

"O governo não irá intervir", disse em Roma, pouco antes de concluir sua primeira visita de Estado à Itália. "Nós temos um processo de investigação e esse processo vai respeitar a normalidade jurídica do nosso país."

Lula reiterou que seu governo respeitará a decisão da Justiça, caso ela determine que agentes da Abin participaram de forma ilegal da ação.

Para o delegado da PF Amaro Vieira Ferreira, que investiga a conduta dos que trabalharam na Satiagraha, o acesso que agentes da Abin tiveram ao Guardião, sistema da PF que armazena interceptações telefônicas, configura "vazamento de informações" e viola a lei que trata do sigilo dos grampos (lei 9.296/96).

Argumentando que a participação de agentes da Abin na Satiagraha é ilegal, a defesa do banqueiro Daniel Dantas, alvo maior da polícia, já pediu a anulação de todos os processos e inquéritos resultantes da operação. Pelo menos 62 agentes da Abin fizeram parte da Operação Satiagraha.

"Se a Justiça determinou que a PF investigue gente da Abin, vai investigar, como investiga tanta gente no Brasil", afirmou Lula. "Eu tenho dito sempre que a única forma de as pessoas não serem investigadas e não terem seus nomes nas manchetes dos jornais é procederem corretamente."

Policial

O presidente criticou aqueles que acreditam gozar de privilégios e manifestou esperança de que as investigações sobre a Satiagraha sejam realizadas de acordo com a lei.

"Se alguém acha que por ter um pouco de poder, seja um presidente ou um policial, está imune às investigações sobre atos que sobrepuseram a legalidade do país, essas pessoas terão que ser investigadas", disse.

Lula disse que espera que todos os envolvidos nas investigações "cumpram com seu trabalho com a maior lisura e com a maior transparência possível". E insistiu em que não haverá interferência do governo.

"Isso é uma questão de investigação policial", disse Lula. "E o governo não é policial."

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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