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Brasil
14/11/2008 - 11h43

Tuma Júnior diz que atividades agropecuárias são comuns para lavar dinheiro

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, confirmou nesta sexta-feira que a utilização de atividades relativas à agropecuária é comum com o objetivo de lavar dinheiro. Tuma Júnior comentou "em tese" a suspeita de que o banqueiro Daniel Dantas usava a compra e venda de cabeças de gado para lavagem.

Reportagem da Folha informa que o banqueiro reuniu US$ 800 milhões em um fundo de investimento no exterior.

Segundo o secretário, as atividades agropecuárias são escolhidas como instrumento para a lavagem de dinheiro porque não obrigam as pessoas a comprovar o valor atribuído às peças negociadas, como ocorre no mercado esportivo com a "compra" de atletas por equipes estrangeiras e nacionais.

"Existem alguns estudos que tratam sobre as diversas tipologias sobre lavagem de dinheiro e há, por exemplo, no futebol. Essa questão de terras e gado são modalidades encontradas. Sem entrar no mérito [do caso Dantas] porque são coisas que não têm como mensurar", afirmou Tuma Júnior.

O secretário disse que o mecanismo utilizado para a lavagem de dinheiro é baseado fundamentalmente na dificuldade de medir valores.

"O indivíduo fala que contratou alguém por 30 milhões de euros e não tem como explicar porque aquele vale 30 e outro 10. Então é uma coisa que a gente tem estudado para buscar mecanismos nesse setor. Não tem parâmetro se um boi pesa tanto e outro [pesa] menos", afirmou.

Segundo Tuma, há várias ações em conjunto entre órgãos federais no esforço de impedir o aprimoramento dos mecanismos utilizados para a lavagem de dinheiro.

"Este não é um caso [referente a Dantas] da secretaria [Nacional de Justiça], nós temos algumas ações conjuntas com o Ministério Público em conjunto com o DRCI [Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional] e Polícia Federal no combate de várias organizações e criminosos", disse o secretário.

Relatório

Em reportagem de Marcio Cesar Carvalho, publicada hoje pela Folha, há detalhes do novo relatório da Polícia Federal sobre Daniel Dantas. Nele, o delegado Ricardo Saadi se concentra em descrever os crimes principais que a PF atribui ao banqueiro: gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.

De acordo com a reportagem, uma atividade paralela atribuída a Dantas é a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, empresa que em três anos se tornou proprietária de um dos maiores rebanhos do mundo, com cerca 500 mil cabeças, segundo Dantas, ou 1 milhão, de acordo com estimativas do mercado.

A agropecuária, segundo a Folha, é apontada como peça central na suposta lavagem de dinheiro que a PF atribui a Dantas.

Investigações policiais indicam que Dantas chegou a reunir cerca de US$ 800 milhões num fundo de investimento nas Ilhas Cayman. Parte do lucro obtido nessa operação retornou para o Brasil e foi aplicada em gado, ainda de acordo com a PF.

Na reportagem, a defesa de Dantas afirma que as acusações da Polícia Federal contra seu cliente padecem de um mal de origem. Para a defesa do banqueiro, a operação está cercada de ilegalidades.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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