Tuma Júnior diz que atividades agropecuárias são comuns para lavar dinheiro
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O secretário nacional de Justiça, Romeu Tuma Júnior, confirmou nesta sexta-feira que a utilização de atividades relativas à agropecuária é comum com o objetivo de lavar dinheiro. Tuma Júnior comentou "em tese" a suspeita de que o banqueiro Daniel Dantas usava a compra e venda de cabeças de gado para lavagem.
Reportagem da Folha informa que o banqueiro reuniu US$ 800 milhões em um fundo de investimento no exterior.
Segundo o secretário, as atividades agropecuárias são escolhidas como instrumento para a lavagem de dinheiro porque não obrigam as pessoas a comprovar o valor atribuído às peças negociadas, como ocorre no mercado esportivo com a "compra" de atletas por equipes estrangeiras e nacionais.
"Existem alguns estudos que tratam sobre as diversas tipologias sobre lavagem de dinheiro e há, por exemplo, no futebol. Essa questão de terras e gado são modalidades encontradas. Sem entrar no mérito [do caso Dantas] porque são coisas que não têm como mensurar", afirmou Tuma Júnior.
O secretário disse que o mecanismo utilizado para a lavagem de dinheiro é baseado fundamentalmente na dificuldade de medir valores.
"O indivíduo fala que contratou alguém por 30 milhões de euros e não tem como explicar porque aquele vale 30 e outro 10. Então é uma coisa que a gente tem estudado para buscar mecanismos nesse setor. Não tem parâmetro se um boi pesa tanto e outro [pesa] menos", afirmou.
Segundo Tuma, há várias ações em conjunto entre órgãos federais no esforço de impedir o aprimoramento dos mecanismos utilizados para a lavagem de dinheiro.
"Este não é um caso [referente a Dantas] da secretaria [Nacional de Justiça], nós temos algumas ações conjuntas com o Ministério Público em conjunto com o DRCI [Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional] e Polícia Federal no combate de várias organizações e criminosos", disse o secretário.
Relatório
Em reportagem de Marcio Cesar Carvalho, publicada hoje pela Folha, há detalhes do novo relatório da Polícia Federal sobre Daniel Dantas. Nele, o delegado Ricardo Saadi se concentra em descrever os crimes principais que a PF atribui ao banqueiro: gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro.
De acordo com a reportagem, uma atividade paralela atribuída a Dantas é a Agropecuária Santa Bárbara Xinguara, empresa que em três anos se tornou proprietária de um dos maiores rebanhos do mundo, com cerca 500 mil cabeças, segundo Dantas, ou 1 milhão, de acordo com estimativas do mercado.
A agropecuária, segundo a Folha, é apontada como peça central na suposta lavagem de dinheiro que a PF atribui a Dantas.
Investigações policiais indicam que Dantas chegou a reunir cerca de US$ 800 milhões num fundo de investimento nas Ilhas Cayman. Parte do lucro obtido nessa operação retornou para o Brasil e foi aplicada em gado, ainda de acordo com a PF.
Na reportagem, a defesa de Dantas afirma que as acusações da Polícia Federal contra seu cliente padecem de um mal de origem. Para a defesa do banqueiro, a operação está cercada de ilegalidades.
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