PPS estuda fusão com PSDB para evitar desaparecimento
GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre
De olho na sucessão presidencial de 2010, PSDB e PPS começaram a discutir a possibilidade de fusão entre as duas siglas. O assunto foi tratado em jantar na semana passada na casa do presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), do qual participaram o governador e presidenciável tucano José Serra (SP) e o deputado federal Nelson Proença (RS), integrante da executiva nacional do PPS.
Ponta-de-lança da articulação, Proença afirma que a possibilidade de criação de uma "janela" para a migração partidária pode enfraquecer o PPS.
O risco de proibição de coligações proporcionais em 2010 e o resultado das últimas eleições municipais são outros fatores que levam a bancada da legenda na Câmara dos Deputados, formada por 15 congressistas, a defender a fusão.
Em 2008, o PPS elegeu 132 prefeitos --uma queda de 59% em relação às 320 prefeituras que conquistou em 2004.
"Há uma tendência de os partidos pequenos desaparecerem, e o quadro deverá se consolidar em três ou quatro grandes partidos nacionais. Uma fusão faz parte de um movimento nacional para enfrentar esta crise que está aí e o momento pós-Lula", disse o deputado.
Serrista convicto, o congressista afirma que a fusão independe de quem seja o candidato tucano à Presidência --se Serra ou o governador mineiro Aécio Neves.
Proença é um egresso do PMDB que chegou ao PPS em 2001 --dez anos depois de o partido ter optado, na época em que a União Soviética se desintegrava, por abandonar o nome Comunista Brasileiro para adotar Popular Socialista.
O presidente nacional do PPS, Roberto Freire, não defende nem rechaça a fusão com os tucanos. Autorizou Proença a dar andamento às conversas com o PSDB. "Não temos uma política de vetos", afirmou.
Segundo Freire, o assunto ainda não está sendo discutido internamente, mas deverá entrar na ordem do dia em virtude da "inquietação" dos congressistas com a possível restrição às coligações e com a possível abertura de um período para o troca-troca partidário sem o risco de perda de mandato.
"Com a reforma política e com a abertura dessa 'janela' para migração, que é um salvo-conduto para a traição, partidos da oposição sofrem muita pressão e há intranquilidade entre os parlamentares."
Freire, que se auto-declara "um velho comunista", disse que a união com o PSDB "não é estranha nem violenta a cultura do Partidão" porque há identidade entre as agremiações.
Anfitrião do jantar que aconteceu na semana passada, Sérgio Guerra disse que a união depende da vontade do PPS. "Somos altamente receptivos, mas a gente não vai interferir no que é um assunto da economia interna deles", afirmou.
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