Brasil
16/11/2008 - 09h32

Opportunity diz que crise global prejudica mais que Satiagraha

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ROBERTO MACHADO
da Folha de S.Paulo, no Rio

Quatro meses após ter sido preso e algemado pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal, em seu apartamento na orla de Ipanema, zona sul do Rio, o banqueiro Daniel Dantas retomou a rotina de trabalho que ficou conhecida entre seus pares.

Chega à sede do Opportunity, no centro do Rio, invariavelmente antes das 8h. Só deixa o escritório depois das 21h. Aos sábados e domingos, lê documentos e relatórios.

Depois de uma temporada de dedicação exclusiva a assuntos policiais e jurídicos, os temas econômicos voltaram à orbita -na verdade, eles se impuseram, diante da força da crise.

Na avaliação de alguns dos executivos do Opportunity, os estragos provocados pela crise foram maiores do que os oriundos da Satiagraha --quando os resgates se aproximaram dos R$ 2 bilhões nos dias seguintes à prisão de Dantas, em julho.

A diferença é que o maremoto global atingiu todas as instituições financeiras -o que não tranqüiliza os gestores, mas permite que clientes e investidores comparem performances em situações de estresse.

Até 12 de novembro, o fundo Lógica 2, com patrimônio de R$ 1,6 bilhão, apresentava rentabilidade negativa de 39,8% no acumulado do ano --abaixo da queda de 44% do Ibovespa.

Os efeitos conjugados da Satiagraha e da crise global fizeram o patrimônio líquido do Opportunity cair de R$ 16,9 bilhões no fim de junho para os atuais R$ 12,6 bilhões.

Mas, do ponto de vista institucional, o saldo não pode ser considerado inteiramente negativo, segundo avaliação até dos concorrentes, que atribuem a "resistência" do Opportunity a Dório Ferman, responsável pela gestão dos fundos.

O banco manteve a 20ª posição no ranking da Anbid (Associação Nacional dos Bancos de Investimento).

A Satiagraha também não provocou o que os executivos do Opportunity mais temiam: uma debandada de jovens talentos. Afinal, além de Dantas, outros nove dirigentes foram indiciados por formação de quadrilha e gestão fraudulenta.

Segundo avaliações internas, inimigos colecionados ao longo dos últimos 14 anos teriam aproveitado a ofensiva para tentar atingir o banco.

Nessa linha de argumentação, a hipótese considerada mais provável é a de que alguns desses adversários teriam inclusive contribuído financeiramente para a operação pilotada por Protógenes Queiroz.

Operação gigante

Centenas de pessoas foram monitoradas durante a investigação: empresários, doleiros, políticos, jornalistas.

A mobilização ultrapassou os quadros funcionais da PF: 62 agentes da Agência Brasileira de Inteligência participaram da ação, diz a defesa de Dantas.

Investigadores com experiência em grandes operações não descartam a possibilidade de ex-policiais e ex-agentes terem sido recrutados para tarefas específicas, pelas quais teriam sido remunerados proporcionalmente ao grau de dificuldade das missões.

Pelo menos um ex-agente da Abin, Francisco Ambrósio do Nascimento, aposentado em 1998, reconheceu em depoimento à CPI dos Grampos, no mês passado, ter colaborado "informalmente" com a PF.

O "elo" entre os adversários do Opportunity e a Satiagraha seria a necessidade de recursos para pagar "colaboradores".

Instado a apontar quais seriam os adversários com interesses e recursos para financiar tais "colaboradores", um executivo do Opportunity responde: os mais óbvios.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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