Em busca da trégua no PMDB, lideranças do partido conversam com José Temporão
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Alvo de críticas e ameaças do PMDB, que é seu partido, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) tem encontro marcado amanhã de manhã com o presidente nacional da legenda, deputado Michel Temer (SP), e o líder da bancada na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN). A idéia é negociar uma trégua na relação do partido com o ministro, uma vez que críticas de ambos os lados são freqüentes e dificultam a relação com a bancada no Congresso.
A relação de Temporão com o PMDB piorou na semana passada, depois que ele chamou de "baixa qualidade e corrupta" a gestão do presidente da Funasa (Fundação Nacional de Saúde), Danilo Forte. A fundação é tradicionalmente reduto de indicações do partido, o que incomodou o líder da legenda na Câmara.
Alves afirmou, na última semana, que a opinião de Temporão foi "fora do tom" e que exigia respeito à bancada e às indicações do partido. Aliado aos comentários do ministro, ele é criticado pela bancada, que reclama de não receber a atenção nem ser recebida no ministério.
Nos bastidores, o ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) foi escolhido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para ser o bombeiro do caso. A pedido de Lula, Múcio negociou o encontro da cúpula do PMDB com Temporão nesta terça-feira (18).
Após o encontro do ministro com Temer e Alves, será a vez dos líderes conversarem com os deputados do PMDB. A idéia é pedir que tenham mais paciência com Temporão, que reconheçam os esforços dele em relação às políticas públicas e principalmente os cuidados que o ministério tem tomado em torno da campanha de combate à dengue --"Brasil unido contra a dengue".
Mas a Folha Online apurou que, no entanto, setores do PMDB vêem com dificuldades uma eventual aproximação com Temporão. Os peemedebistas afirmam que aceitam negociar a trégua, mas mantêm o sinal de alerta em relação ao ministro sob a ameaça de
quaisquer deslizes de sua parte.
O cargo de Temporão é visto como moeda de troca depois das eleições das Mesas Diretoras do Senado e da Câmara nas negociações com o PMDB e o PT. Um dos nomes apontados como eventual candidato ao posto de ministro da Saúde é o do atual presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP). O petista costuma negar a possibilidade.
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