Justiça nega habeas corpus de Naji Nahas para trancar processo da Satiagraha
colaboração para a Folha Online
O TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª região) negou nesta segunda-feira habeas corpus pedido pelos advogados do investidor Naji Nahas para trancar as investigações da Operação Satiagraha. O investidor é um dos investigados no processo e chegou a ser preso pela Polícia Federal ao lado do banqueiro Daniel Dantas e do ex-prefeito de São Paulo.
No habeas corpus, a defesa de Nahas pedia que os juízes anulassem as provas obtidas pela PF por meio de escutas telefônicas sem autorização judicial. No entanto, por 2 votos a 1, os juízes decidiram por não acolher o pedido.
Sérgio Rosenthal, advogado de Nahas, disse à Agência Brasil que "houve uma inversão" durante a operação pelo fato de o sigilo telefônico de seu cliente ter sido quebrado para apurar se havia um crime, mas sem indícios de que esse crime existisse.
Na última terça-feira (11), a defesa do banqueiro Dantas também apresentou pedido de habeas corpus para anular o processo sobre a operação.
No pedido, o advogado de Dantas, Nélio Machado, alega que a participação "estranha, indevida, abusiva e descabida" da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na investigação "imprestabiliza" o processo.
Satiagraha
Segundo a PF, as investigações da Satiagraha começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.
Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos.
Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.
Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado por Nahas.
Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
Com Agência Brasil
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