Brasil
18/11/2008 - 11h07

Tarso condena desvio de conduta em ações da Polícia Federal

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O ministro Tarso Genro (Justiça) condenou nesta terça-feira qualquer tipo de desvio de conduta que busque justificar ações de investigação em operações da Polícia Federal. A reação dele foi uma referência às suspeitas de desvios cometidos por policiais federais durante as apurações da Operação Satiagraha, como a utilização de escutas ambientais e telefônicas, além do trabalho de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência).

"Por mais que seja o mérito e correta que seja uma operação, não justifica o desvio de conduta. Isso é essencial", disse Tarso, admitindo se referir também ao caso da Satiagraha. "O debate sobre as funções da Polícia Federal só existe em uma sociedade democrática", afirmou.

Tarso evitou comentar as suspeitas levantadas por policiais federais, em São Paulo, durante reunião, sobre indícios de infiltração do crime organizado no Estado. De acordo com o ministro, o tema é objeto de investigação da Polícia Federal, por isso não se manifestaria.

Intrigas

Indignado com as informações de que sua gestão é alvo de críticas do ex-presidente da República e senador José Sarney (PMDB-AP), Tarso negou os comentários. O ministro disse ter conversado ontem à noite com Sarney e atribuiu as informações a "intrigas".

"O senador Sarney me telefonou ontem à noite e disse que sabe de onde saíram essas informações. Isso é intriga. Não há nada de absolutamente verdadeiro nisso", afirmou Tarso.

O ministro também rebateu as informações de que ele e o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, mantêm um relacionamento difícil. De acordo com Tarso, são improcedentes essas informações. "Isso na é notícia. É intriga", afirmou.

Químicos

Acompanhado pelo diretor-geral da Polícia Federal, Tarso lançou hoje o novo sistema de controle de produtos químicos no país. A idéia é aumentar a fiscalização dos produtos químicos utilizados na elaboração de drogas, que será intensificada a partir de um novo sistema de controle.

O Siproquim (Sistema de Controle de Produtos Químicos), coordenado pela PF, é capaz de reunir os dados dos empresários, seus fornecedores, a quantidade de produtos adquiridos e vendidos. O objetivo é manter a atenção sobre os 146 produtos químicos presentes na lista da PF, como acetona e benzeno.

O chefe de Investigação e Desvio de Produto Químico da PF, delegado Rodrigo Avelar, disse que o novo sistema proporciona o cruzamento de dados online à disposição para os policiais em todo no país. No total, estão envolvidos nas investigações cerca de 800 agentes e delegados.

Pelo Siproquim, é possível verificar os números do fornecedor dos produtos listados como essenciais para elaboração de drogas, como a data da compra, a nota fiscal e até a quantidade da concentração química presente neles. Mas essas informações são restritas aos policiais que integram as equipes de investigação.

Para funcionar, as empresas precisam obter um certificado da PF, que é renovado anualmente. Mas é necessário que preste informações detalhadas mensalmente à polícia com todos os dados da empresa e dos produtos comercializados, além de datas e fornecedores.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Não sei se o Delegado Protógenes vai dar certo como político..., parece que gente "honesta e ética"..., não é benvinda em nenhum dos poderes. sem opinião
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Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Até onde, ser correto, honesto, investigativo, leal, imparcial, honrando sua Instituição, o Dr. Protógenes Queiroz, Delegado de Polícia Federal, pode ter "pecado", em suas apurações, no caso em questão? Culpado por ter apurado ao "fundo do poço", colhendo provas, e propondo indiciamentos no caso Satiagraha? Atingiu quem não deveria? Ou seja, "riscou um palito de fósforo, no palheiro"? Que crime cometeu, o Dr. Protógenes? Que Brasil é esse, onde o crime impera, e quando homens do bem, combatem o mal, são cercados e vilipendiados em suas atitudes e decisões? Coma fazer polícia, com mãos atadas? Onde está o direito delegado à Autoridade Policial, para apurar, indiciar, e mandar a Juízo, os envolvidos em crimes e falcatruas, para que o Magistrado, às duras penas da Lei, julgue e condene? Quando as causas preocupam os atingidos, começo a ficar preocupado, não sei o que fazer. Política não deve ser misturada com Polícia, cheira mal. Toda intervenção numa investigação, absolve o culpado. Creio plenamente, que o sr. Ministro Tarso Genro, coerente, sábio, saberá interpretar, as Leis, o anseio do povo por Justiça. O Brasil precisa de homens íntegros, probos, de moral ilibada, para seguir adiante, na caminhada, como um verdadeiro líder do Continente Sulamericano, assim, esperamos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo, Brasil. 3 opiniões
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flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
E MEU POVO O BRASIL E UM DOS POUCOS LUGARES DO MUNDO ONDE OS INVESTIGADORES BONS TEM SUA CARREIRA DERRUBADA POR POLITICOS E BANQUEIROS, E UMA PENA, FICA AQUI A MINHA SOLIDARIEDADE AO Sr.PROTOGENES sem opinião
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