Juiz Fausto De Sanctis nega ter autorizado grampo contra presidente do Supremo
da Folha Online
Em nota divulgada ontem, o juiz federal Fausto Martin de Sanctis, da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, nega que as escutas autorizadas no âmbito da Operação Satiagraha tenham atingido o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes.
"Todos os monitoramentos (telefônicos ou telemáticos), conforme já comprovado pela própria Polícia Federal, cingiram-se aos números das pessoas investigadas, não se tendo notícia de uso indevido para alcançar pessoas diversas da investigação", diz De Sanctis. "Não há, pois, nem por hipótese, como tecer insinuações acerca de "espionagem" da mais alta Corte do país, com práticas violadoras das regras jurídicas."
Reportagens da revista "Veja" e do jornal "O Globo" informam que a Operação Satiagraha, desencadeada em julho pela Polícia Federal, tinha um "trabalho de inteligência" que apontava para a concessão de um habeas corpus no STF (Supremo Tribunal Federal) em favor do banqueiro Daniel Dantas.
A revelação foi feita pelo delegado Protógenes Queiroz na reunião que selou o seu afastamento do comando das investigações, em 14 de julho, na sede da superintendência da PF de São Paulo.
A expressão "trabalho de inteligência" usada pelo delegado consta da íntegra da gravação da reunião realizada entre Protógenes e seus chefes na PF, como o diretor de combate ao crime organizado da direção geral da PF, em Brasília, Roberto Troncon, e o chefe da divisão de combate aos crimes financeiros, Paulo de Tarso Teixeira.
De Sanctis diz ainda que o "nenhuma autoridade pode falar em nome do magistrado, que atuando de forma eqüidistante das partes, sempre tentou manter sua posição de isenção, neutralidade e independência".
"Este magistrado preza as leis e a Constituição [...]. Qualquer frase ou palavra, deste magistrado, pinçada ou extraída isoladamente, fora de um contexto lógico, não expressa seus valores democráticos na teoria e na prática", afirma ele na nota.
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