Brasil
19/11/2008 - 02h36

Gravação mostra como PF afastou Protógenes

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RUBENS VALENTE
ALAN GRIPP
da Folha de S.Paulo

Na reunião realizada em 14 de julho passado na sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, dois superiores do delegado Protógenes Queiroz o afastaram do comando da Operação Satiagraha --que seis dias antes levara à prisão o banqueiro Daniel Dantas e o investidor Naji Nahas.

Ouça íntegra da reunião da cúpula da PF com Protógenes

O delegado foi acusado, no encontro, de conduzir uma ação repleta de irregularidades e "fora dos padrões", além de omitir informações sobre os mandados de prisão. Foi questionado também se privilegiou a Rede Globo quando da prisão do ex-prefeito Celso Pitta.

Quando Protógenes deixou a investigação, a direção da PF vazou trechos de quatro minutos da gravação do encontro, que tem duas horas e 55 minutos, e divulgou a versão de que o delegado saiu porque quis. À época, a PF lamentou em nota "a distorção dos fatos".

A íntegra da gravação revela que o delegado tentou se manter por mais 30 dias no comando da operação, ao mesmo tempo em que freqüentaria um curso de formação profissional na academia da PF, em Brasília.

Tentou também continuar auxiliando formalmente os novos delegados do caso. Os dois pedidos foram negados. Num dos trechos vazados pela PF em julho, Protógenes aparecia pedindo "desculpas" aos seus chefes e dizendo que decidira participar do curso em Brasília. Mas o vazamento suprimiu um trecho fundamental da reunião que esclarece a decisão subseqüente do delegado.

O áudio registra que primeiro houve longo e tenso debate de mais de duas horas, que girou basicamente em torno do vazamento da operação no dia em que foi deflagrada. Houve cobranças do ministro da Justiça, Tarso Genro, para que fosse apurado o vazamento.

Protógenes tentou contemporizar, mas não conseguiu demover os chefes da idéia de abrir inquérito sobre o vazamento. Vencida essa etapa, o superintendente da PF em São Paulo, Leandro Coimbra, e o diretor de combate ao crime organizado da direção geral da PF, Roberto Troncon Filho, entraram na fase mais delicada da discussão, a permanência ou não de Protógenes no caso.

A decisão começa a ser tratada às duas horas e 19 minutos de gravação. Coimbra perguntou se Protógenes e os delegados que o apoiavam, Carlos Pellegrini e Karina Murakami, teriam condições de concluir o inquérito "até sexta-feira". A reunião ocorreu numa segunda-feira. Protógenes respondeu: "30 dias".

A idéia do delegado era intercalar o curso na academia com seu trabalho no inquérito que averiguava suposta gestão fraudulenta do grupo Opportunity.

Nesse período, aguardaria os resultados da análise do material apreendido em buscas e apreensões nas casas dos investigados. Contou aos superiores que já havia combinado com advogados de defesa que poderia tomar depoimentos aos domingos, "inclusive para preservar a imagem" dos réus. O superintendente imediatamente opôs-se à idéia. Primeiro disse que havia aulas aos sábados.

Em seguida, argumentou que Protógenes estava "personificando" a investigação. Ele afirmou: "Sábado tem aula. O problema é parecer que é pessoal".

Nesse momento, interveio Troncon. Pouco antes, havia feito duro diagnóstico sobre o que acreditava ser "uma paranóia" de Protógenes. Disse que ele estava disseminando "uma virose" que estaria "contaminando" a PF.

Falava ainda em "resolver" o assunto. Disse ter ficado "chateado" com os delegados da Satiagraha pois fora mantido à parte da operação. Protógenes argumentou que queria "preservar" o delegado. Disse que ele e equipe foram "perseguidos" em Brasília, o que justificaria sua prevenção.

O áudio demonstra que Troncon não aceitou discutir a possibilidade de Protógenes continuar à frente da investigação. Contou que havia "conversado" com o delegado Coimbra, momentos antes do encontro.

Troncon usou como argumento as críticas que a imprensa vinha fazendo ao trabalho de Protógenes. Mas deixou claro que o delegado deveria deixar o caso. "Tem que despersonificar a investigação. A investigação é do órgão (...) Ainda que você [Protógenes] dê a sua colaboração, porque você é o cara que mais sabe desse negócio, mas assim ó, fora dessa situação", disse Troncon, que exerce uma das cinco diretorias vinculadas ao diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa.

Protógenes argumentou: "É muito pelo contrário. Não está personificada, tem quatro delegados nessa investigação". Troncon reagiu. "Não, a gente tem que pensar. Eu concordo com o Leandro (...) A gente discutiu um pouco antes. A gente tem que sair desse foco da personificação. (...) Quem está no período da dedicação exclusiva ao curso, a freqüência das aulas. Por que vamos abrir para o Queiroz? (...)", disse Troncon. Mais adiante, Troncon afirmou: "Se você conseguir relatar até sexta-feira, mas prosseguir numa situação... É dar lenha na fogueira. Certamente prosseguirá como fonte de consulta, como apoio. (...) Mas continuar tocando o inquérito...".

Comentários dos leitores
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Até onde, ser correto, honesto, investigativo, leal, imparcial, honrando sua Instituição, o Dr. Protógenes Queiroz, Delegado de Polícia Federal, pode ter "pecado", em suas apurações, no caso em questão? Culpado por ter apurado ao "fundo do poço", colhendo provas, e propondo indiciamentos no caso Satiagraha? Atingiu quem não deveria? Ou seja, "riscou um palito de fósforo, no palheiro"? Que crime cometeu, o Dr. Protógenes? Que Brasil é esse, onde o crime impera, e quando homens do bem, combatem o mal, são cercados e vilipendiados em suas atitudes e decisões? Coma fazer polícia, com mãos atadas? Onde está o direito delegado à Autoridade Policial, para apurar, indiciar, e mandar a Juízo, os envolvidos em crimes e falcatruas, para que o Magistrado, às duras penas da Lei, julgue e condene? Quando as causas preocupam os atingidos, começo a ficar preocupado, não sei o que fazer. Política não deve ser misturada com Polícia, cheira mal. Toda intervenção numa investigação, absolve o culpado. Creio plenamente, que o sr. Ministro Tarso Genro, coerente, sábio, saberá interpretar, as Leis, o anseio do povo por Justiça. O Brasil precisa de homens íntegros, probos, de moral ilibada, para seguir adiante, na caminhada, como um verdadeiro líder do Continente Sulamericano, assim, esperamos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo, Brasil. sem opinião
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flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
E MEU POVO O BRASIL E UM DOS POUCOS LUGARES DO MUNDO ONDE OS INVESTIGADORES BONS TEM SUA CARREIRA DERRUBADA POR POLITICOS E BANQUEIROS, E UMA PENA, FICA AQUI A MINHA SOLIDARIEDADE AO Sr.PROTOGENES sem opinião
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Igor Bevilaqua (710) 07/11/2009 18h17
Igor Bevilaqua (710) 07/11/2009 18h17
O Delegado Protógenes não roubou ninguém..., não deu golpe no estado..., não superfaturou obra alguma..., não empregou parentes..., não comprou votos..., não foi nomeado no cargou por ninguém, é concursado..., não roubou os cofres públicos e nem leigislou em causa própria..., não deixou de declarar mansões de R$ 5.000.000,00, aliás não seriam compatíveis com seu ganho..., não lavou dinheiro sujo..., não recebeu mensalão..., não construiu castelos..., não farreou ou vendeu passagens no congresso e na câmara..., não abasteceu jatinhos com grana do povo..., não ficou rico da noite para o dia..., não recebeu propinas..., não pagou amante com dinheiro de construtora..., não participou de maracutaias com cervejarias..., não pagou cursos no exterior para proles ou parentes ou amigos com dinheiro público..., não aumentou os próprios salários ou verbas de gabinete..., não forneceu "HABEAS CORPUS" a corruptos e bandidos..., não censurou "O ESTADÃO"..., não contratou fantasmas..., não contratou com "atos secretos e ultra-secretos..., não trabalhou ou legislou sempre em causa própria..., não blindou advogados e nem proibiu uso de algemas em bandidos..., UFA!!! e etc..., MASSS..., cometeu um crime, que no país dos bandidos não vai ficar impune..., "ELE PRENDEU UMA QUADRILHA DE COLARINHO BRANCO, QUE ROUBAVA OS COFRES PÚBLICOS SEM PARAR"..., e por isso, os corruptos que recebiam propinas dos quadrilheiros, não se conformaram e tentam de todos os jeitos, punir o Delegado..., é mole...??? sem opinião
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