Advogado de Dantas diz que banqueiro virou "caça medieval" de De Sanctis e Protógenes
YGOR SALLES
da Folha Online
O advogado do banqueiro Daniel Dantas, Nélio Machado, afirmou nesta quarta-feira que o seu cliente virou uma espécie de "caça medieval" do juiz Fausto De Sanctis e do delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz. A declaração foi feita na entrada do prédio da Justiça Federal de São Paulo, onde o banqueiro participa de audiência final do processo sobre uma suposta tentativa de suborno a um delegado da PF.
"Querem eleger meu cliente como uma espécie de troféu, uma caça medieval", disse Machado ao chegar ao prédio. Além de Dantas, o ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz e o professor universitário Hugo Chicaroni também participam da audiência na 6ª Vara Criminal.
Machado revelou que o relatório com as alegações finais possui cerca de 300 páginas e mais de cem documentos para confrontar a posição tomada pelo juiz. "Fiz uma radiografia de toda essa perseguição [...]. O juiz terá que confrontar tudo isso e responder. Como eu sei que ele não terá como responder, se ele for magistrado de fato, terá que absolver meu cliente", disse.
O advogado voltou a criticar a manutenção do caso nas mãos do juiz De Sanctis, dizendo que ele não tem condições psicológicas de julgar a questão. "O doutor Fausto criou uma espécie de 'apaixonamento' com esse caso". A defesa de Dantas teve o pedido de tirar o processo da 6ª Vara negado pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça).
Questionado se temia que seu cliente saísse preso da audiência de hoje, Machado disse ter "uma preocupação fundada" diante das outras vezes que seu cliente foi preso.
Como o Ministério Público já entregou suas alegações finais no mês passado, o juiz já poderá dar sua sentença no caso.
Chicaroni
O professor universitário, ao entrar no fórum criminal, disse ter medo de sair preso, embora tenha dito não conhecer nem Braz nem Dantas. "Tenho medo de ser preso, afinal sou um cidadão comum", disse Chicaroni. "A única pessoa que conheço nessa história toda era o Protógenes, que foi meu amigo durante oito anos."
Ao entrar na vara criminal nem Dantas nem Braz deram declarações a imprensa.
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