Brasil
19/11/2008 - 13h03

Defesa de Dantas pede novo depoimento de Protógenes e adia fim de processo

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THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

O advogado do banqueiro Daniel Dantas, Nélio Machado, pediu nesta quarta-feira ao juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal em São Paulo, o acesso à gravação da reunião na superintendência da Polícia Federal, que decidiu pelo afastamento do delegado Protógenes Queiroz do comando da Operação Satiagraha.

O pedido da defesa de Dantas adiou, assim, o fim do processo contra o banqueiro na 6ª Vara Criminal, que poderia acontecer hoje com a entrega das alegações finais por parte dos acusados.

Para Machado, o conteúdo da reunião influencia diretamente no desenrolar do processo contra seu cliente, acusado de corrupção (ouça a íntegra da reunião da cúpula da PF com Protógenes).

Lula Marques/Folha Imagem
Defesa de Dantas pede acesso à gravação da reunião da PF e adia fim de processo
Defesa de Dantas pede acesso à gravação da reunião da PF e adia fim de processo

O advogado pede ainda para que o juiz ouça novamente o delegado Protógenes e o diretor-afastado da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), Paulo Lacerda, além de acesso aos autos do inquérito que investiga supostos excessos de Protógenes durante a Operação Satiagraha. O pedido foi negado na terça-feira (18) pelo juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal, onde se encontra o inquérito.

"Insisto no depoimento do doutor Protógenes e do doutor Paulo diante de tudo que veio à tona posteriormente", afirmou Machado, referindo-se à crise envolvendo a PF e a Abin após a divulgação da operação.

De Sanctis recebeu hoje as alegações finais no processo que investiga uma suposta tentativa de suborno envolvendo Dantas. O juiz também recebeu a defesa do ex-presidente da Brasil Telecom Humberto Braz e do professor universitário Hugo Chicaroni, também envolvidos no caso.

O juiz ainda não decidiu se vai aceitar o pedido da defesa do banqueiro. Caso o pedido não seja aceito, De Sanctis terá dez dias para dar sua sentença sobre o caso. No entanto, apenas o fato de o juiz não ter indeferido o pedido de imediato já agradou Machado.

"Hoje saio com o mínimo de esperança de que possa acontecer um julgamento justo. Quando entrei aqui não acreditava nessa possibilidade, mas saio daqui com alguma esperança renovada, porque o juiz, ao invés de sair de forma precipitada, ele pediu tempo para refletir", disse o advogado.

Para o procurador da República Rodrigo de Grandis, não há necessidade de incluir a gravação da reunião nos autos do processo contra o banqueiro, como pede a defesa, pois não há nenhuma influência.

"Na opinião do Ministério Público, não há nenhuma influência, não há necessidade de incluir a gravação nos autos."

Denúncia

O procurador afirmou que o novo inquérito produzido pela Polícia Federal e Ministério Público deve levar a uma nova denúncia, desta vez por lavagem de dinheiro e crimes financeiros, contra Dantas.

"Existe um novo inquérito policial, conduzido pelo Ministério Público junto à Polícia Federal, em que há indícios de lavagem de dinheiro", disse. "Temos certeza que haverá uma denúncia por lavagem de dinheiro e crimes financeiros", reiterou.

No entanto, o procurador disse que esse inquérito está "em uma fase preliminar". "Há muito trabalho pela frente ainda."

Sobre o crime de corrupção, de Grandis disse que o Ministério Público deu elementos em sua denúncia para que o juiz De Sanctis dê uma pena bem maior que a mínima para o crime, dizendo que pode chegar a 12 anos de prisão. "Mas a pena fica a critério do juiz."

Comentários dos leitores
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
É uma falta de respeito com nos paraence o que o Bancario esta fazendo. nosso estado não deve se cala diante de tanta omilhação, temos que nos valorizar, somos pequenos diante dele mas somos capazes. 2 opiniões
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Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Em qualquer país decente do mundo um delegado como esse que foi afastado já estaria preso. Mas no Brasil parece que ele vai virar herói, no que depender, é claro, dos paladinos da moralidade (alheia, é claro). No mais, parabéns ao STF e ao CNJ, que têm corrigido os delírios de alguns juízes que ainda pensam ser deuses, mas estão aprendendo, em público e para o país todo ver, que manda quem pode e obedece quem tem juízo. É isso, simples assim, queiram ou não algumas viuvinhas. 15 opiniões
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