Procurador diz que PF sonegou informações sobre gastos da Satiagraha
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, o procurador da República Roberto Dassie Diana disse nesta quarta-feira que o Ministério Público não recebeu da Polícia Federal informações sobre gastos da Operação Satiagraha, apesar de ter solicitado oficialmente os dados.
O procurador, que investiga vazamentos da operação e a participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Satiagraha, confirmou que a PF sonegou as informações no que diz respeitos aos recursos financeiros da Satiagraha.
"A Polícia Federal não me forneceu todos os gastos, não. Alegou sigilo e não foi fornecido. Eu pedi as informações, a comprovação documental de gastos da Satiagraha e a Polícia Federal não me forneceu alegando sigilo das informações", afirmou.
O procurador disse que as informações sobre os gastos da operação são importantes porque poderão revelar detalhes da conduta das investigações.
Dassie também confirmou no depoimento à CPI das Escutas que foi contrário à ação de busca e apreensão de documentos da Abin e de responsáveis pela Satiagraha, conduzida pela Polícia Federal. O procurador disse que não concordou com a autorização do juiz Ali Mazloum, da 7ª. Vara Criminal Federal, para a execução das buscas.
"O delegado deve ter liberdade para tirar suas conclusões. Eu não concordo com a decisão do juiz [Mazloum] no caso, mas como toda decisão judicial, deve ser respeitada e acolhida, ainda que possa ser submetida a críticas", afirmou.
Na opinião do procurador, o Código Penal permite ações de busca e apreensão somente quando há suspeitas fundamentadas sobre os investigados. "Eu entendia [que a Polícia Federal] iria apresentar todos os dados porque o pedido de busca deve ser formulado com conhecimento completo dos dados", disse.
Após a decisão de Mazloum, a PF executou mandados de busca e apreensão na superintendência da Abin, no Rio, e nas residências de delegados que participaram da Satiagraha --entre eles, Protógenes Queiroz. A PF reuniu documentos sigilosos da agência, o que irritou a cúpula da Abin.
Como as investigações da procuradoria estão em segredo de Justiça, Dassie evitou adiantar à CPI as conclusões que já possui a respeito da Satiagraha. "O sigilo me impede de entrar em pormenores do caso. Não temos ainda o encerramento dessas investigações. Ainda há necessidade de colheita de diversas provas. São conclusões prematuras que não devem ser feitas agora, até por respeito à sociedade."
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