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Brasil
19/11/2008 - 15h53

Procurador diz que PF sonegou informações sobre gastos da Satiagraha

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, o procurador da República Roberto Dassie Diana disse nesta quarta-feira que o Ministério Público não recebeu da Polícia Federal informações sobre gastos da Operação Satiagraha, apesar de ter solicitado oficialmente os dados.

O procurador, que investiga vazamentos da operação e a participação de agentes da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) na Satiagraha, confirmou que a PF sonegou as informações no que diz respeitos aos recursos financeiros da Satiagraha.

"A Polícia Federal não me forneceu todos os gastos, não. Alegou sigilo e não foi fornecido. Eu pedi as informações, a comprovação documental de gastos da Satiagraha e a Polícia Federal não me forneceu alegando sigilo das informações", afirmou.

O procurador disse que as informações sobre os gastos da operação são importantes porque poderão revelar detalhes da conduta das investigações.

Dassie também confirmou no depoimento à CPI das Escutas que foi contrário à ação de busca e apreensão de documentos da Abin e de responsáveis pela Satiagraha, conduzida pela Polícia Federal. O procurador disse que não concordou com a autorização do juiz Ali Mazloum, da 7ª. Vara Criminal Federal, para a execução das buscas.

"O delegado deve ter liberdade para tirar suas conclusões. Eu não concordo com a decisão do juiz [Mazloum] no caso, mas como toda decisão judicial, deve ser respeitada e acolhida, ainda que possa ser submetida a críticas", afirmou.

Na opinião do procurador, o Código Penal permite ações de busca e apreensão somente quando há suspeitas fundamentadas sobre os investigados. "Eu entendia [que a Polícia Federal] iria apresentar todos os dados porque o pedido de busca deve ser formulado com conhecimento completo dos dados", disse.

Após a decisão de Mazloum, a PF executou mandados de busca e apreensão na superintendência da Abin, no Rio, e nas residências de delegados que participaram da Satiagraha --entre eles, Protógenes Queiroz. A PF reuniu documentos sigilosos da agência, o que irritou a cúpula da Abin.

Como as investigações da procuradoria estão em segredo de Justiça, Dassie evitou adiantar à CPI as conclusões que já possui a respeito da Satiagraha. "O sigilo me impede de entrar em pormenores do caso. Não temos ainda o encerramento dessas investigações. Ainda há necessidade de colheita de diversas provas. São conclusões prematuras que não devem ser feitas agora, até por respeito à sociedade."

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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