DEM fixa prazo de 15 dias para Câmara cassar mandato de deputado infiel
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
A Executiva Nacional do DEM definiu nesta quarta-feira que dará um prazo de 15 dias para que o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), cassar o mandato do deputado Walter Brito Neto (PRB-PB) e substituí-lo pelo suplente Major Fábio (DEM). Caso o prazo não seja cumprido, os democratas ameaçam recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para que sejam tomadas as providências que consideram corretas.
Ontem, Chinaglia afirmou, em plenário, que aguarda a publicação do acórdão do STF referendando a resolução do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) sobre infidelidade partidária e definindo prazos para o troca-troca de legendas, para encaminhar o assunto para a Mesa Diretora da Câmara.
Porém, durante a reunião da executiva nesta quarta-feira, os democratas afirmaram que observam que há um movimento de protelação para evitar a substituição de Brito Neto e, conseqüentemente, que ele perca o mandato parlamentar.
Pela resolução do TSE, deputados federais e estaduais, além de vereadores que mudaram de partido depois de 27 de março de 2007, e senadores, após 16 de outubro do mesmo ano, podem ser obrigados a devolver os mandatos para os partidos que os elegeram.
O caso de Brito Neto é considerado emblemático, pois ele trocou o DEM pelo PRB fora dos prazos fixados pelo TSE, alegando que era perseguido pelos democratas do Estado. O deputado disse que pretende recorrer à decisão que orienta por sua substituição.
O DEM insiste que a vaga na Câmara pertence ao partido e não a Brito Neto. Na interpretação de alguns ministros do TSE, essa é a leitura que deve ser feita da resolução.
A discordância sobre a interpretação da resolução provocou um mal-estar entre Chinaglia e o presidente do TSE, Carlos Ayres Britto. Para o ministro, é fundamental o cumprimento imediato da decisão da Justiça.
Ontem, os democratas suspenderam a obstrução às votações no plenário da Câmara depois que Chinaglia avisou que seguirá a decisão definida pelo STF tão logo ocorra a publicação do acórdão. Não há data para isso ocorrer.
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Os parlamentares, que ao invés de nos representar o cidadão, só legislam em causa própria; estão vindo prá cima do povo como um rolo compressor. Direitos querem todos; deveres, nenhum.
Fidelidade partidária é uma piada. Liberdade para botar a mão no cofre só aumenta. Prestar contas à sociedade, nenhum parlamentar quer e ainda se pretende se proteger com o voto em lista fechada.
É preciso inaugurar a era do sindicalismo cidadão.
A quem está servindo esse congresso?
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