Brasil
19/11/2008 - 19h38

Plenário terá que referendar decisão de Garibaldi de devolver a Lula MP da filantropia

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A decisão do presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), de devolver ao Poder Executivo a MP das Filantrópicas terá que ser aprovada pelo plenário do Senado para ocorrer efetivamente. Como o líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), recorreu da decisão de Garibaldi à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Casa Legislativa, a MP só deixará de vigorar caso a comissão e o plenário do Senado mantenham a decisão de Garibaldi.

"A MP só será efetivamente devolvida ao Executivo se o plenário decidir que devolve", explicou Jucá. Enquanto o plenário não decidir sobre o recurso, a MP continua a vigorar em todo o país --e a devolução ao Executivo fica suspensa.

A decisão de Garibaldi deflagrou uma guerra verbal no plenário do Senado entre senadores da base aliada governista e da oposição. Irritado, o senador Aloizio Mercadante (PT-SP) acusou Garibaldi que agir politicamente ao decidir pela devolução da MP.

"Apenas o plenário do Senado e da Câmara podem devolver MPs. Não há na Constituição Federal nenhuma atribuição a Vossa Excelência para chamar a si uma responsabilidade que é do plenário. O Senado já votou não a MPs, mas o plenário não pode ser substituído pela presidência", disse o petista.

A oposição, por outro lado, comemorou a decisão de Garibaldi de devolver a MP. DEM e PSDB prometem votar favoravelmente à devolução quando o recurso de Jucá chegar ao plenário. "O presidente Garibaldi foi o intérprete da vontade do plenário, ele interpretou o sentimento dos líderes. Chega de exorbitância do governo", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

Jucá disse que Garibaldi abre um "perigoso precedente" ao decidir, sozinho, devolver a MP ao Executivo. "Hoje é o presidente Garibaldi que está na presidência, amanhã não sabemos quem estará", ironizou.

Polêmica

Depois de ouvir sucessivos discursos de senadores contrários à MP, Garibaldi decidiu hoje devolver a medida provisória ao Executivo. O senador leu, em plenário, parte do artigo 48 do regimento interno do Senado --o qual afirma que o presidente da Casa pode "impugnar as proposições que lhe pareçam contrárias à Constituições, às leis e ao regimento", devolvendo-as ao seu autor.

Antes da devolução de Garibaldi, o ex-senador José Inácio havia devolvido uma MP ao Executivo em 1989. Na ocasião, o parlamentar ocupava interinamente a presidência do Congresso. Depois de 19 anos, Garibaldi foi o segundo presidente do Congresso a tomar medida semelhante.

O texto enviado ao Congresso pelo governo torna automática a aprovação dos pedidos de renovação de certificados de filantropia pendentes no CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social). O texto autoriza ainda a concessão a pedidos que anteriormente foram negados.

A oposição batizou a matéria de "MP da Pilantropia" ao afirmar que a concessão automática dos pedidos de renovação poderá beneficiar entidades com pendências judiciais. Na tentativa de aprovar a MP, o ministro Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) se reuniu hoje com Garibaldi e líderes partidários, mas não obteve avanços.

Comentários dos leitores
João Carlos Gagliardi (967) 11/04/2009 21h53
João Carlos Gagliardi (967) 11/04/2009 21h53
7.000 Filantrópicas suspensas?
Isso é bom.
Mas é só um começo...
Deve haver muitas outras ONG's já liberadas e que continuam não dando satisfação de nada do que fazem.
Só "ajudam" no papel...
Não é possível tanto dinheiro ser liberado para estas instituições sem que haja envolvimento oficial.
Fica a certeza que se rastrearem o dinheiro, com certeza, chegaremos a algumas personagens muito conhecidas da nossa vida política.
É muito estranha essa complacência toda do governo com essa gente, não acham?
sem opinião
avalie fechar
Alcides Emanuelli (989) 11/04/2009 12h24
Alcides Emanuelli (989) 11/04/2009 12h24
Continuando........o que não dá para entender são os Porquês!
Se é tão simples ver o certo, o emprendedorismo, o obvio, porquê não é feito, afinal essas pessoas estão onde estão para fazer a administração publico com eficiencia e eficaz e trazer como resultado o bem estar Social.
Entrando em um segmento de convulsão social, o da Industria do Narcotrafico o da Industria do Pó, das drogas que estão destruindo com toda a sociedade brasileira, seja ela de que classe for, porque não se faz nada, não se trabalha para dar um fim nessa violcencia, nessa falta de soberania, nesse desgoverno total sobre a segurança no Brasil.
Porquê não estão sentados nesse momento, secrétarios de segurança de todo o Brasil, Ministros de segurança, do Exercito, para dar uma solução em tudo isso em toda essa violência.
É facil para o Sr. Presidente esbravejar que vai acabar com a violencia e olhem que ele está lá a quase 8 anos e a vilencia deve ter triplicado nesse periodo no Brasil.
Será que ele não sabe se der alimento para o povo e não dinheiro ele estara fazendo um bolsa familia correto e vai poder bater em sua barriga e dizer ninguem pode passar fome e culpar a classe média por isso como ele sempre está fazendo.
Mas se essa pessoa ensinar o homem a pescar ele vai se alimentar por toda a vida.
De que vale criar situações paleativas e não soluções reais para o fim da miséria e da violencia no Brasil.
Esse é um admiravel mundo novo que veremos, infelizmente.
1 opinião
avalie fechar
Norival Riesz Scaglione (56) 10/04/2009 23h14
Norival Riesz Scaglione (56) 10/04/2009 23h14
A maioria dessas entidades PILANTROPICAS só servem para enriquecimento de seus representantes, enquanto isso, o Sistema Básico de Saúde, não existe, as escolas públicas cada vez piores, os aposentados só se ferram, mas os pilantropicos, estão cada vez mais aparecendo, voces não acham que tem muita gente no governo levando também, pois só se consegue liberação de verbas para as entidades pilantropicas quem é amigo do canastrão ex-senhor honestidade, o sapo barbudo e de seus asseclas. Na verdade é mais um mensalão disfarçado, ou voces caros leitores duvidam????????? sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (49)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca