Brasil
20/11/2008 - 10h02

Banqueiro enfrenta De Sanctis com ao menos 9 advogados e recebe intimação

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LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo

A preocupação com uma possível prisão levou Daniel Dantas a se apresentar ontem à Justiça Federal com um batalhão de advogados. Em vez dos tradicionais três ou quatro defensores, o banqueiro entrou na sala de audiência do juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal, rodeado por ao menos nove advogados.

O juiz federal já decretou duas vezes a prisão de Dantas --ambas foram anuladas por ordem do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes.

Ontem foi a audiência final do processo movido contra Dantas por suposta corrupção (oferecimento de US$ 1 milhão a um policial para se ver livre de um inquérito por crimes financeiros) e, teoricamente, De Sanctis poderia ter sentenciado o banqueiro à prisão, o que não ocorreu. O magistrado ainda vai analisar pedidos formulados pela defesa antes de se pronunciar sobre a acusação.

À parte disso, circulava ainda um boato de que o delegado da Polícia Federal Ricardo Saadi, que chefia a investigação contra Dantas por crimes financeiros, teria pedido uma nova prisão do banqueiro, o que não foi confirmado.

Pessoas que acompanharam a audiência disseram que a tensão ficou evidente quando o banqueiro recebeu do juiz um documento. Num primeiro momento, pensaram se tratar de uma ordem de prisão. Depois, viram que era uma intimação comunicando o bloqueio de US$ 46 milhões atribuídos a ele no Reino Unido.

"O que é isso?", perguntou Dantas ao receber o papel. Ao ser informado do bloqueio, o banqueiro repassou o documento a um dos advogados.

Ontem, na audiência final, o bloco da defesa do banqueiro, encabeçado por Nélio Machado, membro do Conselho Nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), ganhou o reforço do advogado Andrei Zenkner Schmidt, do Rio Grande do Sul, considerado pelo meio jurídico um grande criminalista. Schmidt estava acompanhado por outros advogados do escritório.

Ontem, também pela primeira vez, o professor Hugo Chicaroni, que foi acusado pelo Ministério Público de ter atuado como intermediário de Dantas na tentativa de corromper um delegado federal, trocou o silêncio que vinha mantendo e falou com os jornalistas. Disse que tinha medo de voltar para a prisão e que é inocente.

O bloqueio administrativo dos US$ 46 milhões foi decretado a pedido do Ministério Público Federal, por meio de um tratado de bilateral de cooperação jurídica. Dantas já constitui advogados no Reino Unido.

Comentários dos leitores
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (107) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
É uma falta de respeito com nos paraence o que o Bancario esta fazendo. nosso estado não deve se cala diante de tanta omilhação, temos que nos valorizar, somos pequenos diante dele mas somos capazes. 2 opiniões
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Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Comentarista Brasil (88) 17/11/2009 12h41
Em qualquer país decente do mundo um delegado como esse que foi afastado já estaria preso. Mas no Brasil parece que ele vai virar herói, no que depender, é claro, dos paladinos da moralidade (alheia, é claro). No mais, parabéns ao STF e ao CNJ, que têm corrigido os delírios de alguns juízes que ainda pensam ser deuses, mas estão aprendendo, em público e para o país todo ver, que manda quem pode e obedece quem tem juízo. É isso, simples assim, queiram ou não algumas viuvinhas. 15 opiniões
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