Tucanos pedem para Procuradoria investigar atividades da PF e da Abin
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Executiva Nacional do PSDB protocolou nesta quinta-feira na PGR (Procuradoria Geral da República) representação com pedido de investigação sobre as atividades da Polícia Federal e da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) depois da disputa interna entre os dois órgãos nos desdobramentos da Operação Satiagraha. O partido quer esclarecer o funcionamento dos serviços de inteligência do governo na condução de escutas telefônicas ao apontar a "disseminação" de grampos clandestinos envolvendo a PF e a Abin.
No pedido, elaborado pelos deputados Gustavo Fruet (PSDB-PR) e Valderlei Macris (PSDB-SP), os tucanos afirmam que houve "conduta ilícita" dos agentes públicos na "ação deliberada de proceder escutas sem autorização legal".
Fruet disse que há "fatos graves" que justificam a representação na PGR. "Surgiram fatos novos e também muito graves que justificam recorrer novamente ao procurador, como a notícia de que agentes da Abin tiveram acesso ao Sistema Guardião da Polícia Federal, durante a Operação Satiagraha, o que é ilegal", disse o deputado.
O partido quer apurar, além da execução das escutas, a disputa interna entre a PF e a Abin em torno da Satiagraha --com o pedido de investigações sobre o Ministério da Justiça, diretores da Abin e da PF.
"É incompreensível se chegar ao grau de deterioração entre esses dois órgãos. Tem que se investigar as contradições entre a Polícia Federal e a Abin, a busca e apreensão de documentos na agência e o acesso a dados sigilosos", disse Fruet.
É a segunda representação encaminhada à PGR pela oposição desde que supostas irregularidades na Operação Satiagraha vieram à tona. No primeiro pedido de investigações, apresentado em setembro, DEM, PSDB e PPS pediram à procuradoria para apurar supostos grampos executados pela Abin em telefones de autoridades dos três Poderes.
No pedido encaminhado hoje à PGR, os tucanos afirmam ainda que há um "organismo paralelo" ao Estado de Direito, com objetivos políticos, que vêm colocando em oposição os órgãos de inteligência do país.
"Um dos nossos objetivos, ao fazer esse representação, é propiciar a oportunidade de o Ministério Público apurar uma guerra política que se instalou entre a Abin e a PF", afirmou Macris.
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