Índios ameaçam atear fogo em torre de energia no Paraná
DIMITRI DO VALLE
da Agência Folha, em Curitiba
Revoltados com a falta de indenização pelo uso de suas terras, índios da etnia caingangue ameaçam atear fogo em uma torre de alta tensão da Copel (Companhia Paranaense de Energia) na aldeia Barão de Antonina, em São Jerônimo da Serra (292 km de Curitiba).
A Copel tem uma linha de transmissão composta de 14 torres erguidas em 1967 na região da aldeia, que conduzem energia a municípios do norte do Paraná.
Os índios pedem indenização de R$ 3,5 milhões pelo tempo de uso da área e afirmam que só recebem R$ 28 mil anuais da companhia. Um dos líderes da aldeia, o professor Aparecido Almeida, 39, diz que as 130 famílias que vivem na área não podem plantar nas proximidades das torres e que sua implantação levou à derrubada de mata nativa, gerando prejuízos econômicos aos índios.
"Vamos aguardar uma resposta da Copel até amanhã [hoje]. Caso não haja pagamento, a torre vai queimar. Está muito difícil segurar o pessoal da aldeia", afirmou Almeida. A base de uma das torres está cercada por pilhas de troncos e pneus.
Por meio da assessoria, a direção da Copel comunicou que já fez uma contraproposta de pagamento de R$ 800 mil ao MPF (Ministério Público Federal), que faz a intermediação da negociação. O prazo para a resposta da companhia termina hoje.
A Copel informou que as torres foram instaladas em áreas degradadas e que não há o impacto relatado pelos índios.
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