Tarso diz que novo relatório da Satiagraha é "mais profundo" e "não midiático"
GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre
O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse nesta sexta-feira que o novo relatório parcial da Operação Satiagraha, que investiga as atividades do banqueiro Daniel Dantas, é "mais profundo" e "não midiático". Foi uma crítica indireta ao delegado Protógenes Queiroz, o autor do primeiro relatório, que foi afastado do caso em julho.
Elaborado pelo delegado Ricardo Andrade Saadi, que substituiu Protógenes, o relatório afirma que o dono do Opportunity lidera uma "organização criminosa" que cometeu crimes contra o sistema financeiro, contra ordem tributária, de lavagem de dinheiro e de formação de quadrilha.
| 10.nov.2008/Folha Imagem |
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| Tarso Genro diz que novo relatório da Satiagraha é "profundo" e "não midiático" |
"Eu disse que o relatório seria técnico, mais profundo, desapaixonado e não midiático, e assim foi", afirmou Tarso, ao deixar uma reunião entre ministros responsáveis pela gestão da segurança pública dos países do Mercosul, em Porto Alegre.
O ministro não quis comentar o teor do relatório em que a PF afirma ainda que o banqueiro usa a corrupção e a intimidação como método para praticar os crimes apontados.
Segundo o diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, novas evidências deverão ser adicionadas ao inquérito depois que a PF concluir a análise de todo o material apreendido na Satiagraha.
"É um inquérito a mais como qualquer outro e temos foco na qualidade da prova. Cada frase escrita por um delegado da PF necessariamente tem que estar lastreada em boas provas", disse o diretor-geral.
Racha
O tom de reprovação em relação a Protógenes foi mais explícito quando Tarso Genro negou que a substituição tenha causado divisões internas dentro da polícia: "Não há racha, há maior controle [sobre as ações da PF], que começou quando alguém que está sendo investigado favoreceu uma empresa de comunicação, alertando que uma operação daquela magnitude ia ser feita".
No dia 5 de julho, quando foi deflagrada a Satiagraha, uma equipe da TV Globo filmou a prisão do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta --o que desencadeou uma investigação da corregedoria da PF sobre vazamentos de informação durante a operação.
Para Tarso, o racha entre grupos dentro da PF é "um mito criado pela mídia".
Corrêa também expressou incômodo com a participação de Protógenes em atos de desagravo promovidos pelo PSOL durante a semana:
"Na Polícia Federal, o servidor público particularmente só se manifesta política e partidariamente no momento em que entra na cabine para votar como cidadão. Fora isso, ele não tem direito de se manifestar porque isso tira a isenção."
Acordo
Tarso e o ministro de Governo da Bolívia, Alfredo Rada, firmaram um acordo para realizar ações conjuntas de combate ao narcotráfico a partir de janeiro de 2009.
Autoridades dos dois países conduzirão investigações e farão operações contra traficantes. No início de novembro, o governo Evo Morales expulsou do país a DEA (agência antidrogas dos EUA) do território boliviano.
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