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Brasil
24/11/2008 - 09h50

Empresa de Dantas no Pará reclama de "perseguição política"

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HUDSON CORRÊA
da Folha de S.Paulo, em Brasília

O presidente da Agropecuária Santa Barbara Xinguara, Carlos Rodenburg, afirmou à Folha que a empresa sofre "perseguição política" do governo do Pará e do Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária). As declarações foram enviadas à reportagem por sua assessoria.

A agropecuária pertence ao grupo de Daniel Dantas, ex-cunhado de Rodenburg. De acordo com a Polícia Federal, o agronegócio foi usado por Dantas para lavagem de dinheiro. O empresário nega.

A Folha revelou no sábado que o Incra abriu processo administrativo "para fins de desapropriação" da fazenda Cristalino, em Santana do Araguaia (PA), área de 52.073 hectares arrendada pela agropecuária desde dezembro de 2007 para criação de gado.

O Incra afirma que atende reivindicação de "movimentos sociais que alegam que as terras são improdutivas".

Rodenburg atribuiu todo o processo a uma "perseguição política sem argumentação técnica factível".

Já o governo do Pará move ação judicial para assumir a posse de terras, avaliadas em R$ 10 milhões, compradas pela agropecuária. Para completar, as fazendas Cristalino e Maria Bonita --esta de 3.500 hectares, em Eldorado do Carajás (PA)-- foram invadidas por sem-terra em agosto e julho, respectivamente.

"A aberrante ilegalidade nisto tudo está nas invasões de terras altamente produtivas. Logo após as invasões, a Vara Agrária de Marabá [PA] concedeu liminar de reintegração de posse, mas o governo [do Estado] simplesmente não cumpre a ordem judicial", reclama Rodenburg.

"É curioso apontar que todos esses processos, declarações de governantes na imprensa e invasões de terras ocorreram quase simultaneamente e somente após o começo dessa ofensiva contra Daniel Dantas, mais um desdobramento da mesma perseguição política", afirmou o presidente da agropecuária.

Novo status

Rodenburg diz que até surgir a Operação Satiagraha, em julho, "a presença e atuação da Santa Barbara no Estado recebiam apenas elogios das esferas institucionais".

O empresário afirma que a agropecuária gera 1.800 empregos diretos e 8.000 indiretos. "Esta ofensiva que tem como alvo Daniel Dantas, se exitosa, atingirá em cheio milhares de famílias de comunidades carentes", disse Rodenburg.

O governo do Pará, por sua vez, afirma que existe "mais de uma centena" de mandados judiciais de reintegração de posse, um deles de 1994, a serem cumpridos e nega que haja perseguição à agropecuária.

A Secretaria de Segurança Pública do Pará diz que faz operações de desocupação por região do Estado ao custo de R$ 2 milhões cada uma. A prioridade, no momento, é a região nordeste do Pará e não a sudeste, onde estão localizadas as fazendas da agropecuária.

Ainda de acordo com o governo, há documentos que indicam ilegalidade na compra de terras, as quais ainda pertenceriam ao Estado. Daí, a ação judicial contra Dantas.

O Incra informa que abriu processo técnico, após reivindicação "de movimentos sociais". O instituto diz que "determinou, por intermédio de um procedimento administrativo, uma vistoria na área. A vistoria já foi feita e o relatório está sendo elaborado".

Comentários dos leitores
Agnaldo Gradice (36) 21/12/2009 22h47
Agnaldo Gradice (36) 21/12/2009 22h47
Se fôr para analisar esse caso a 'sério' da quase um filme alá bang-bang italiana; onde o delegado Protógenes Queirós é o xerife e o banqueiro Daniel Dantas é o mocinho. Onde no final já sabemos quem é que vai se dar mal e quem vai se dar bem. Ou alguém aqui já final algum final diferente? É a lei. Lei feita para os homens do mal e nunca para os homens do bem. sem opinião
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Rolando Frati (123) 21/12/2009 22h36
Rolando Frati (123) 21/12/2009 22h36
Os Juizes de Carreira querem mudar esse País, mais o Sistema não permite. Até quando Presidentes vão ficar fazendo indicações politicas para o Supremo? O Supremo deve fiscalizar inclusive a instituição Presidência da República. sem opinião
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Alguém duvidava que isto fosse acontecer? 4 opiniões
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