Justiça aceita nova denúncia contra Valério por corrupção
LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo
A Justiça Federal de Santos (SP) aceitou a acusação formal do Ministério Público Federal contra o publicitário Marcos Valério de Souza, que agora passa a ser réu em um processo em que é acusado de ter "encomendado" um inquérito policial falso para prejudicar dois fiscais da Fazenda paulista.
O publicitário irá responder pelos crimes de formação de quadrilha, corrupção ativa (duas vezes) e denunciação caluniosa (três vezes). A pena pode chegar a 51 anos de prisão.
| 04.nov.08/Folha Imagem |
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| Justiça Federal de Santos aceita nova denúncia contra Valério por corrupção |
Além de Marcos Valério, a Justiça aceitou também a denúncia (acusação formal) contra Walter Faria, dono da Cervejaria Petrópolis, que teria oferecido, segundo a Polícia Federal, R$ 3 milhões para que o publicitário conseguisse afastar os fiscais do cargo --Faria responderá pelos mesmos crimes atribuídos ao publicitário.
Outras nove pessoas, entre advogados e policiais, também foram denunciadas.
Todos negam qualquer participação no esquema ilegal. Ontem, os respectivos advogados disseram que ainda não tinham tido acesso à denúncia.
O publicitário ficou conhecido em 2005 com o escândalo do mensalão, quando foi apontado como o operador do esquema de pagamento a parlamentes da base do governo federal. Ele é réu neste processo também.
Marcos Valério, o sócio dele, Rogério Tolentino, os advogados e os policiais foram presos pela PF na Operação Avalanche, em 10 de outubro.
Histórico
Para a Procuradoria, Marcos Valério "encomendou" um inquérito para intimidar dois fiscais da Fazenda que haviam multado uma empresa ligada à Cervejaria Petrópolis, a Praiamar, em R$ 104 milhões.
Os alvos eram o diretor-adjunto da Administração Tributária da Secretaria da Fazenda paulista Antonio Carlos Campos e o fiscal Eduardo Friedman, que investigavam um megaesquema de sonegação fiscal.
Escutas telefônicas revelam, segundo a PF, a participação dos réus numa intensa negociação que tinha como objetivo a abertura do inquérito falso.
Para a Procuradoria, Marcos Valério contatou dois advogados, Eloá Velloso e Ildeu Sobrinho, que, com a ajuda de três policiais, levantaram dados pessoais dos fiscais. Essas informações foram repassadas a dois policiais federais aposentados, Paulo Endo e Daniel Balde. Eles contataram dois delegados da PF de Santos, Silvio Salazar e Antonio Hadano --responsáveis pelo inquérito.
Ontem, o Superior Tribunal de Justiça negou o pedido de habeas corpus de Marcos Valério, que segue preso.
Outro lado
O advogado de Valério, Marcelo Leonardo, afirmou ontem "estranhar" que a Justiça de Santos tenha acolhido uma denúncia contra seu cliente. "É uma Justiça provisória para o caso", afirmou.
A investigação começou em São Paulo. Como o suposto inquérito forjado foi aberto em Santos, a Justiça de São Paulo entendeu que a de Santos deveria assumir. Mas, ao receber o inquérito, a Justiça de Santos o devolveu a São Paulo, por entender que não tinha competência. O Tribunal Regional Federal da 3ª Região decretou, então, que a Justiça de Santos seria a responsável pelas decisões até o julgamento do caso.
"Sobre o acolhimento da denúncia, não posso me manifestar porque ainda não tive acesso aos argumento do Ministério Público Federal", afirmou Marcelo Leonardo.
A Cervejaria Petrópolis informou que seus advogados não conseguiram ter acesso à denúncia e, por isso, não comentariam. Em nota, a empresa refuta qualquer envolvimento com a acusação.
Durante a investigação, os demais denunciados negaram ter participado de qualquer ato ilícito.
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