Após encontro com Lula, Serra nega ser contrário à reforma tributária
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Ao deixar o Palácio do Planalto nesta sexta-feira, o governador José Serra (PSDB) defendeu uma série de propostas que viraram bandeiras do governo federal. O tucano se disse favorável à reforma tributária, à postergação da cobrança do Simples e elogiou as medidas adotadas que visam combater a contaminação da crise financeira internacional.
O governador disse que sua visita foi para "trocar idéias" com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O tom da visita foi de cordialidade e de política de boa vizinhança, como afirmaram alguns interlocutores tucanos.
"Nós estamos jogando aí na base da cooperação. Nada de quanto pior, melhor. Não se pode trabalhar no quanto pior, melhor, nem misturar política partidária com questão da crise porque o Brasil precisa ser preservado da crise [financeira internacional] em qualquer circunstância", disse o governador.
Serra e Lula conversaram por cerca de uma hora, sem outras pessoas presentes, no gabinete do presidente da República.
No momento em que foram feitas imagens do encontro os dois sorriam bastante e conversavam em um tom mais baixo do que o normal, segundo fotógrafos.
"[Vim aqui] para trocar idéias sobre as questões tributárias, inclusive essa das medidas. Há muito equívoco a esse respeito. Não há ninguém nesse país que defenda mais a reforma tributária. Pode ser que tenha alguém que defenda com a mesma intensidade", afirmou Serra.
Crítico dos principais pontos abordados pela reforma tributária em negociação no Congresso Nacional, o governador negou que seja resistente à proposta. Porém, seus interlocutores fazem campanha na Câmara e no Senado para evitar a unificação do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e sua cobrança no destino.
De acordo com os tucanos, a unificação do ICMS e a cobrança do imposto no destino podem causar um prejuízo de cerca de R$ 16 bilhões para o Estado de São Paulo. Mas hoje o governador optou por um discurso diplomático sobre o assunto. Serra contemporizou as divergências.
"Os problemas são as medidas e os detalhes. Minha preocupação não é regional, é nacional. Reforma tributária é uma coisa muito delicada, pela complexidade que envolve, pela dificuldade jurídica que envolve [a discussão]", disse o governador.
Segundo Serra, é fundamental haver um acordo entre a União, os Estados e os municípios, do contrário, há riscos de mais polêmicas e divergências. "Às vezes, o diabo reside nos detalhes", disse ele.
Na Câmara, a proposta de reforma tributária aguarda votação no plenário da Casa. Os governistas buscam acordo com os partidos de oposição na tentativa de garantir que a PEC (proposta de emenda à Constituição) seja aprovada, mas há restrições do PSDB e DEM.
Leia mais
- Governo e relator querem votar reforma tributária ainda em 2008
- Governadores do Norte e NE vão assinar acordo pró-reforma tributária
- Lula reúne governadores do Nordeste para discutir impasse sobre reforma tributária
- Sem acordo com oposição, Câmara deve adiar votação de reforma tributária para 2009
- Blog do Josias: Chinaglia diz que é difícil aprovar reforma tributária em 2008
- Blog do Josias: Reforma tributária não sairá em 2008, diz Garibaldi
- Câmara deve concluir votação da reforma tributária só em dezembro
Livraria
- Jornalista faz CRÍTICAS A LULA, seu governo e o PT em "O País dos Petralhas"
- Livro analisa a resistência à REFORMA TRIBUTÁRIA e o aumento dos impostos no país
- Livro explica conceitos de TRIBUTOS FEDERAIS, estaduais e municipais
Especial


avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar