Brasil
01/12/2008 - 08h41

Insatisfeitos na PF tentam forçar saída de seu diretor-geral

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CATIA SEABRA
da Folha de S.Paulo

Em meio à crise que abala a instituição, setores descontentes da Polícia Federal já defendem publicamente a substituição de seu diretor-geral, Luiz Fernando Corrêa. A "rebelião" tem adesão não só de delegados, mas também de agentes federais insatisfeitos com os rumos da negociação de uma lei orgânica para a categoria.

Embora discordem quanto à intensidade, entidades sindicais --ainda que rivais-- reconhecem a existência de um movimento dentro da PF.

"Hoje, 80%, 85% [da corporação] acham que é o momento de modificação. Estamos pensando na instituição. Não nas pessoas. Falo como classista, que tem conhecimento da categoria, da base", afirmou o presidente do Sindicato dos Delegados da PF no Distrito Federal, Joel Mazzo.

A exemplo de Mazzo, o presidente do Sindicato dos Delegados da Polícia Federal no Estado de São Paulo, Amaury Portugal, diz que apenas reproduz a insatisfação da categoria. O Estado reúne 500 dos cerca de 2.000 delegados da PF. Mas, segundo ele, a pressão extrapola as fronteiras de São Paulo.

"Depois dessa crise, houve um desgaste natural, como aconteceu com o Paulo Lacerda. Desgastou, tem de sair. É o caso dele. Já está na hora de ele sair", afirmou Portugal, autor de críticas à atual gestão.

"Todo dia ouço queixas", completou ele.

O presidente da Associação dos Delegados da Polícia Federal, Sandro Torres Avelar, minimiza esses tremores, ao qual chama de "movimentozinho". Mas não nega focos de descontentamento.

"Existem pessoas insatisfeitas. Mas isso é uma pequena minoria. A grande maioria está trabalhando. Não é que esteja satisfeita ou deixando de estar. Mas está trabalhando, normalmente", afirmou ele.

Uma ala da Polícia Federal responsabiliza Luiz Paulo Corrêa e seu antecessor, Paulo Lacerda, pela crise que a polícia atravessa. E, por isso, alega que os dois deveriam ser afastados do cargo. Não só Lacerda.

"É um pensamento que circula. O que está em crise não é a PF. É uma gestão administrativa", justificou Mazzo.

Mas não é só isso. A crise trouxe à tona antigas disputas na corporação. Alijados do comando da polícia, delegados se queixam da centralização do poder nas mãos de "colegas de curso" de Luiz Fernando Corrêa. O remanejamento de superintendentes, com a indicação de jovens para os cargos, é outro alvo de queixas.

Os delegados reclamam da ausência de Corrêa no congresso organizado pelo sindicato há duas semanas, em São Paulo.

Já os agentes federais estariam incomodados com o esboço da proposta de lei orgânica em discussão no Ministério da Justiça. A categoria defende a adoção de um sistema interno de promoção para que se tornem delegados.

Hoje, há um concurso específico para delegados. Corrêa propõe uma transição gradual para o modelo reivindicado pelos agentes. Uma das idéias é que a experiência do agente conte pontos no concurso para delegados.

Os peritos, por sua vez, exigem que seus laudos tenham caráter definitivo dentro de um inquérito policial.

Procurada pela Folha, a assessoria de comunicação da PF rechaça qualquer risco de instabilidade. Segundo a assessoria, "o relacionamento do diretor-geral tanto com o Ministério da Justiça como com a Presidência da República é sólido. Está mais firme do que nunca".

Comentários dos leitores
jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
jeferson pereira maciel (1) 18/11/2009 19h57
É uma falta de respeito com nos paraence o que o Bancario esta fazendo. nosso estado não deve se cala diante de tanta omilhação, temos que nos valorizar, somos pequenos diante dele mas somos capazes. sem opinião
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Comentarista Brasil (86) 17/11/2009 12h41
Comentarista Brasil (86) 17/11/2009 12h41
Em qualquer país decente do mundo um delegado como esse que foi afastado já estaria preso. Mas no Brasil parece que ele vai virar herói, no que depender, é claro, dos paladinos da moralidade (alheia, é claro). No mais, parabéns ao STF e ao CNJ, que têm corrigido os delírios de alguns juízes que ainda pensam ser deuses, mas estão aprendendo, em público e para o país todo ver, que manda quem pode e obedece quem tem juízo. É isso, simples assim, queiram ou não algumas viuvinhas. 12 opiniões
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odair medeiros (6) 11/11/2009 22h03
odair medeiros (6) 11/11/2009 22h03
Vergonha nacional um criminoso como Daniel Dantas recorrer ao Conselho Nacional de Justiça contra um magistrado! Esse criminoso já bagunçou a vida do delegado Protógenes Queirós. As autoridades se transformam, conforme a vontade de Dantas, em rés! Daqui a alguns meses, o Tarso Genro deixará o Ministério da Justiça, acredito que o Dantas possa substituí-lo, pois só ele está certo, os demais delegado, juiz estão errados! Eta república de banana! 10 opiniões
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