Protógenes diz que novo relatório da PF sobre Dantas "espelha" seu trabalho na Satiagraha
THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online
O delegado Protógenes Queiroz, afastado da condução da Operação Satiagraha, disse hoje que o novo relatório da Polícia Federal sobre o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, "espelha" e "corrobora" com a investigação que ele fez do caso. O delegado Ricardo Saadi, que assumiu a investigação no lugar de Protógenes, fez um novo pedido de prisão do banqueiro --o terceiro em quatro meses--, segundo reportagem da Folha.
| Marlene Bergamo/Folha Imagem |
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| Delegado Protógenes Queiroz diz que não pensa em entrar na política e que pretende continuar atuando na Polícia Federal |
"A maior resposta à sociedade é o próprio segundo relatório que espelha o meu relatório. Não só corrobora como ratifica toda a coleta de dados feita anteriormente, inclusive até colocando ali o tráfico de influência de algumas expoentes do próprio cenário da República", afirmou Protógenes antes de ser homenageado pelo PSOL na Assembléia Legislativa de São Paulo.
Utilizando esses argumentos, Protógenes disse não ter ficado surpreendido com o novo pedido de prisão feito por Saadi, que preside o inquérito contra o banqueiro e chefia a Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros em São Paulo.
Protógenes aproveitou o evento para elogiar o juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo. "Ele tem se mostrado ao longo dos anos com forte nível de isenção."
Questionado se houve erro durante sua participação na Operação Satiagraha, Protógenes disse que sim. "Houve erro quando vazou a operação."
Pressão
Protógenes disse que sofreu pressão durante as investigações da Satiagraha. "O que aconteceu comigo não foi surpresa, O que foi surpresa foi a exposição da minha família. Foi uma forma de me pressionar da forma mais baixa possível."
Apesar disso, ele afirma que não pretende deixar a corporação. "Não penso em deixar a PF. Entrei na PF por um ideal, que é combater a corrupção."
Questionado sobre a origem dessa pressão, ele afirmou: "Não dá para identificar de onde vem essa força. Há diversos colaboradores do bandido Daniel Dantas com a tentativa de produzir provas por meio de investigações. E isso durante todo o processo".
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