Brasil
02/12/2008 - 07h27

Mulher vence eleição para cacique pela primeira vez em Mato Grosso do Sul

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MATHEUS PICHONELLI
da Agência Folha

Pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, uma mulher foi eleita cacique em uma aldeia urbana localizada em Campo Grande, capital do Estado.

A índia terena Enir da Silva Bezerra, 53, venceu a disputa em eleição realizada anteontem, com 134 dos 277 votos da aldeia. Participam da escolha maiores de 16 anos, que elegem o cacique por meio de cédula, em papel, que é depositada em urnas. Dois índios --outra mulher e um pastor evangélico-- também estavam na disputa.

Enir afirma que até hoje só conheceu duas mulheres caciques, ambas de Mato Grosso.

Segundo a Funai (Fundação Nacional do Índio), a eleição de mulheres caciques no país ainda é rara, mas há casos no Amazonas, na Paraíba e em Pernambuco. Não há levantamento sobre quantas mulheres no país ocupam o posto.

"Se fosse há dez anos, não venceria a eleição. A mulher, na cultura indígena, precisa cuidar da casa, dos filhos. Quem decidia os assuntos da comunidade eram os homens. Isso começa a mudar", disse, por celular, a cacique, que é mãe de oito filhos e que já foi coordenadora de assuntos indígenas da Prefeitura de Campo Grande.

A cacique é uma das fundadoras da aldeia urbana Marçal de Souza, onde mora. A aldeia, criada em 1995, possui 135 famílias indígenas, que moram em casas de alvenaria, dentro da cidade. Existem outras duas aldeias urbanas na capital.

Uma das metas de Enir como cacique, diz ela, será pressionar o poder público para a instalação de rede de esgoto, calçadas e centro comunitário na aldeia.

Eleições para cacique no país podem ser feitas por eleição, mas também ocorrem por indicação ou sucessão entre líderes de um mesmo mesmo clã.

Segundo o administrador da Funai da Paraíba, Petrônio Machado Cavalcanti Filho, que interinamente ocupa o posto em Mato Grosso do Sul, a eleição precisa ser referendada pelo conselho de lideranças indígenas do Estado.

O conselho é ocupado por 34 índios, só de aldeias rurais, que se reúne amanhã na sede da Funai na capital.

Comentários dos leitores
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h31
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h31
Como a entidade SODIUR, "reivindicava que os não índios, como os rizicultores, permanecessem na área" da RSS, postura que lhe confere a condição de mais brasileira e responsável do que as autoridades de Brasília; esperamos que agora, por ocasião da reunião mencionada, seus integrantes tenham uma participação ativa, não se deixando serem expulsos pela ONG "CIR" e propondo que, através de convênios, possam retornar à RSS, tanto os operosos rizicultores quanto quaisquer brasileiros de outras profissões que lá antes habitavam. Que trabalhem para viabilizar juridicamente esse retorno, de modo que, com sua presença, atrapalhem e impeçam a retirada sem controle de elementos da biodiversidade e dos minerais (nióbio, etc.). Esta retirada sem controle, e a futura formal separação do Brasil, no meu ver e sentir, é a razão última da feição atual do Art. 231 da CF/88, em função do qual a FUNAI esta a demarcar áreas enormes como "terras indígenas", designação que não deveria ser aceita pelos brasileiros, por se contrapor ao conceito de terra brasileira. Imagino que existam pessoas das cinco etnias que se sintam brasileiros e que se neguem a serem instrumentos dóceis de ONGs internacionalistas; que sintam motivação pelo retorno dos outros brasileiros injustamente expulsos. Se tal ocorrer, surgirão empregos, geração de renda e receita tributária, reintegrando ao Brasil a RSS. sem opinião
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Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h18
Adei Louzada de Moura (45) 27/06/2009 08h18
Foi um desfecho lamentável esse que culminou na atribuição do território continuo de 1,7 milhão de ha. na área chamada Raposa / Serra do Sol (RSS). Esta região, de fato e a despeito de nossa superestrutura jurídica, deixou de ser Brasil, visto que vedada aos brasileiros em geral, onde lhes é negado o direito de ir e vir. Assim como já não era mais Brasil a reserva situada mais a oeste da RSS, algumas vezes maior que esta, a chamada Ianomâmi, designação espertamente empregada para designar todas as etnias que lá habitam, certamente em grupos esparsos e muito distantes uns dos outros; realidade que deixa liberada a exploração da biodiversidade e minerais (nióbio, etc.) pelos países desenvolvidos do hemisfério norte, sem que brasileiros atrapalhem. sem opinião
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Armando Malato (164) 26/06/2009 15h52
Armando Malato (164) 26/06/2009 15h52
Se as etnias indigenas estão se reunindo somente agora, para decidir o que fazer da área conquistada, chamada Rapõsa Serra do Sol, éporque de antemão, não tinham nenhum projeto visando a utilização deste território que vinha sendo ocupando em altas benfeitorias, por produtores de arroz e pecuaristas. Ninguem me convence que os silvicolas irão ter a mesma estrutura e tecnologia para aproveitar estas terras com a mesma desenvotura que vinha sendo feita pelos não indios. Agora começam a aparecer os impasses quanto a utilização da terra, por falta de entendimento entre eles mesmos. Tomara que daqui há alguns anos, esta região não vire morada, somente dominio de animais silvestres e terras incultas, para tristeza dos brasileiros e prejuizo de nossa produção. 2 opiniões
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