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Brasil
02/12/2008 - 17h13

Gilmar Mendes evita comentar condenação de Daniel Dantas

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, evitou comentar nesta terça-feira a decisão do juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal, de condenar o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, a dez anos de prisão por corrupção ativa.

Mendes não quis provocar polêmica com o juiz depois de ter concedido dois habeas corpus a Dantas durante a Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal em julho.

Ao conceder os habeas corpus a Dantas em meio à operação, Mendes recebeu críticas e chegou a trocar farpas com o ministro Tarso Genro (Justiça). Procuradores da República articularam a apresentação, no Senado, de um pedido de impeachment do presidente do STF em razão da sua atuação nos habeas corpus de Dantas.

Tarso e Mendes protagonizaram uma crise entre os dois Poderes depois que o ministro criticou a concessão de habeas corpus ao banqueiro. Mendes, em resposta, afirmou que Tarso não tinha "competência" para opinar sobre o assunto.

Ministros do STF saíram em defesa de Mendes durante o julgamento, no plenário do tribunal, do mérito dos habeas corpus. O ministro Celso de Mello chegou a afirmar que o comportamento de Sanctis foi "no mínimo insolente" ao ter negado o acesso aos autos do processo.

Dantas foi preso duas vezes em uma mesma semana, mas foi solto após as decisões de Mendes. A primeira prisão foi decretada pelo juiz De Sanctis, no dia que a operação foi deflagrada. A defesa do banqueiro recorreu ao STF e, no dia seguinte, Mendes concedeu o primeiro habeas corpus.

Cerca de dez horas depois que Dantas deixou a carceragem da Superintendência da PF em São Paulo, o mesmo juiz decretou novamente a prisão de Dantas por tentativa de suborno. Dantas voltou à prisão e a defesa do banqueiro recorreu novamente. Apesar das novas provas, Mendes concedeu outro habeas corpus a Dantas.

Além de condenar Dantas nesta terça-feira, o juiz especificou que o banqueiro, o consultor Hugo Chicaroni e o assessor de Dantas, Humberto Braz, devem pagar multa pelo crime de corrupção ativa nos valores de R$ 1,425 milhão (Dantas), R$ 877 mil (Braz) e R$ 292 mil (Chicaroni).

De acordo com a denúncia, os três tentaram subornar o delegado da PF Victor Hugo Rodrigues Alves --teriam oferecido US$ 1 milhão para excluir o nome de Dantas da investigação. Todos podem recorrer da decisão em liberdade, pois o juiz não expediu o mandado de prisão contra eles.

Comentários dos leitores
Marcio Marques Alves (44) 24/12/2009 16h28
Marcio Marques Alves (44) 24/12/2009 16h28
Avaliar se um juíz perdeu a imparcialidade num caso, onde ele tem certeza da culpa do réu, é no mínimo a desculpa mais esfarrapada do Supremo, aliás os indultos natalinos foram generosos; a mulher do mega traficante Abadia, do médico Abdelmassih, já o Dantas, ora o Dantas! Nem precisa ser solto o Gilmar já fez isso duas vezes, esse sim parece um caso de perda de imparcialidade. E muito me estranha uma declaração como essa desse advogado, ele já não conseguiu até desmantelar o processo inteiro?! Prova de sua imensa competência! Parabéns, para eles, o Brasil "agradece". sem opinião
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Felipe Timponi (14) 23/12/2009 17h08
Felipe Timponi (14) 23/12/2009 17h08
O Judiciário é o gargalo desse país.
As cortes superiores(STF,STJ,TSE,TRF'S e TJ's segundo grau) acambam com qualquer tentativa de moralizar a nação.
23 opiniões
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Marcello Pereira (54) 23/12/2009 16h53
Marcello Pereira (54) 23/12/2009 16h53
Com essa suspensão. Dá tempo dos 68 acionistas sacarem suas granas milhonárias das Ilhas Caymman e passarem um natal bem gordo. Quem serão estes 68 seletos senhores??? 6 opiniões
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