Brasil
03/12/2008 - 05h49

Acusados falavam em nome de Dantas, revelam gravações

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da Folha Online

A transcrição das reuniões mantidas entre os policiais da Operação Satiagraha e os emissários de Daniel Dantas --o empresário Humberto Braz e o professor Hugo Chicaroni -- mostra que os aliados do banqueiro falavam em nome dele e atuavam por sua exclusão do inquérito, informa reportagem de José Alberto Bombig na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).

Rafael Andrade/Folha Imagem
O juiz Fausto de Sanctis indica que Dantas temia ser preso, mas confiava no STJ e no STF para se livrar de eventual condenação
O juiz Fausto de Sanctis indica que Dantas temia ser preso, mas confiava no STJ e no STF para se livrar de eventual condenação

Dantas, do grupo Opportunity, foi condenado a dez anos de prisão por corrupção ativa e ao pagamento de uma multa de R$ 12 milhões. Ele é acusado de tentar subornar um delegado da Polícia Federal para ter seu nome excluído das investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Braz e Chicaroni foram condenados a sete anos e um mês de prisão, cada um.

Em um dos trechos das gravações que constam da decisão judicial, Braz, ex-executivo da Brasil Telecom, disse que a negociação havia sido autorizada por Dantas, que nega a afirmação. Os diálogos, gravados pela PF, envolvem ainda Chicaroni e os delegados Protógenes Queiroz e Victor Hugo Ferreira.

O juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal, condenou o banqueiro e seus dois emissários. De Sanctis indica ainda que Dantas temia ser preso, mantinha influência dentro da PF e confiava no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e no STF (Supremo Tribunal Federal) para se livrar de eventual condenação.

Leia a íntegra da decisão

Decisão

De acordo com denúncia do Ministério Público Federal, os três tentaram subornar o delegado da PF Victor Hugo Rodrigues Alves --teriam oferecido US$ 1 milhão para excluir o nome de Dantas da investigação. Todos podem recorrer da decisão em liberdade, pois o juiz não expediu o mandado de prisão deles.

O procurador da República Rodrigo de Grandis disse que pretende ampliar o valor da multa aplicada a Dantas. "Eu tenho que ressaltar que a pena não é só a privativa de liberdade. Existe também a pena pecuniária, de multa, que vai eventualmente sofrer uma análise para fins de recurso. O Ministério Público Federal pode pedir, por exemplo, um aumento, uma maturação, da pena de multa."

Em nota, a defesa de Dantas afirma que já pediu a anulação do julgamento e que as provas são "fraudadas".

19.nov.2008/Folha Imagem
Polícia Federal pede a prisão de Daniel Dantas à Justiça pela terceira vez
Polícia Federal pede a prisão de Daniel Dantas à Justiça pela terceira vez

"O processo julgado é absolutamente nulo. Não houve o crime atribuído, sua defesa foi cerceada, as provas são fraudadas e o magistrado impediu a perícia indispensável à demonstração da improcedência da acusação. [...] A defesa já recorreu pedindo a anulação do julgamento", diz o advogado Nélio Machado na nota.

O advogado de Braz, Renato de Morais, afirma que ainda não teve acesso à decisão, mas que pretende recorrer. Ele qualificou de armação as provas apresentadas pela PF no processo que resultou na condenação de seu cliente. "A prova conjugava em uma armação do delegado Protógenes [Queiroz]. Parece que o juiz passou ao largo dessa argumentação, e isso será levado ao tribunal para que seja apreciado", disse.

A reportagem tentou localizar o advogado de Chicaroni para comentar a decisão, mas eles não atenderam às ligações.

Leia a notícia completa na Folha desta quarta-feira, que já está nas bancas.

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Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Igor Bevilaqua (711) 08/11/2009 10h01
Não sei se o Delegado Protógenes vai dar certo como político..., parece que gente "honesta e ética"..., não é benvinda em nenhum dos poderes. sem opinião
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Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Joel Saraiva (124) 08/11/2009 00h37
Até onde, ser correto, honesto, investigativo, leal, imparcial, honrando sua Instituição, o Dr. Protógenes Queiroz, Delegado de Polícia Federal, pode ter "pecado", em suas apurações, no caso em questão? Culpado por ter apurado ao "fundo do poço", colhendo provas, e propondo indiciamentos no caso Satiagraha? Atingiu quem não deveria? Ou seja, "riscou um palito de fósforo, no palheiro"? Que crime cometeu, o Dr. Protógenes? Que Brasil é esse, onde o crime impera, e quando homens do bem, combatem o mal, são cercados e vilipendiados em suas atitudes e decisões? Coma fazer polícia, com mãos atadas? Onde está o direito delegado à Autoridade Policial, para apurar, indiciar, e mandar a Juízo, os envolvidos em crimes e falcatruas, para que o Magistrado, às duras penas da Lei, julgue e condene? Quando as causas preocupam os atingidos, começo a ficar preocupado, não sei o que fazer. Política não deve ser misturada com Polícia, cheira mal. Toda intervenção numa investigação, absolve o culpado. Creio plenamente, que o sr. Ministro Tarso Genro, coerente, sábio, saberá interpretar, as Leis, o anseio do povo por Justiça. O Brasil precisa de homens íntegros, probos, de moral ilibada, para seguir adiante, na caminhada, como um verdadeiro líder do Continente Sulamericano, assim, esperamos. Joel Carlos de Almeida Saraiva, Investigador de Polícia, dos Altos do Jaraguá, São Paulo, Brasil. 3 opiniões
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flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
flavio teodoro (2) 07/11/2009 20h34
E MEU POVO O BRASIL E UM DOS POUCOS LUGARES DO MUNDO ONDE OS INVESTIGADORES BONS TEM SUA CARREIRA DERRUBADA POR POLITICOS E BANQUEIROS, E UMA PENA, FICA AQUI A MINHA SOLIDARIEDADE AO Sr.PROTOGENES sem opinião
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