Brasil
03/12/2008 - 08h43

Para criminalistas, decisão contra Dantas é exacerbada; CPI comemora

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FREDERICO VASCONCELOS
ANA FLOR
MARIA CLARA CABRAL
da Folha de S.Paulo

Criminalistas consideraram "exacerbada" a sentença do juiz Fausto Martin De Sanctis. O advogado Antônio Cláudio Mariz de Oliveira diz que "foi correta" a decisão de permitir que Daniel Dantas recorra em liberdade, mas considerou "elevada" a pena de dez anos de prisão, multa de R$ 1,425 milhão e reparação de R$ 12 milhões.

Na sua opinião, Daniel Dantas não criou nenhum embaraço para o processo: "Não é um crime confirmado, mas uma tentativa de corrupção", afirma Mariz de Oliveira.

Segundo o criminalista Tales Castelo Branco, a decisão foi "emocionalmente incendiária". "À primeira vista, é uma sentença para chamar a atenção", diz o advogado.

O advogado Adriano Salles Vanni afirma que "já esperava a pena tão exacerbada". "Acredito piamente que essa decisão será reformada." Ele diz que De Sanctis usou "agravantes genéricos". "O juiz deve ter feito uma ginástica muito grande para aplicar uma reparação de R$ 12 milhões", afirma Vanni.

O criminalista Romualdo Sanches Calvo Filho entende que a sentença "não surpreendeu". Para ele, é normal que Dantas responda em liberdade.

Congresso

Já congressistas integrantes da CPI dos Grampos comemoraram a condenação. O deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ) disse que a justiça "tarda, mas não falha", e ressaltou a importância da CPI que expôs as ações do banqueiro.

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR) acredita que a condenação não será anulada, havendo uma diminuição da pena. "O juiz calibrou uma pena alta para que [Dantas] não seja absolvido, mas a condenação tem que entrar para a história para mostrar que não há uma blindagem contra ninguém."

O deputado Nelson Pellegrino (PT-BA) disse que a condenação é boa "pedagogicamente". Mas ele acredita que o processo tem provas frágeis.

O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse que "o importante é o funcionamento normal e harmônico das instituições". "Ministério Público promove a fiscalização e a aplicação da lei, a polícia inquire, o Poder Judiciário julga com independência."

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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