PMDB decide disputar presidência do Senado e embola candidatura de Tião
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O PMDB formalizou nesta quarta-feira a decisão de lançar candidato à presidência do Senado em fevereiro de 2009, mas não definiu o nome do senador que vai disputar com o petista Tião Viana (PT-AC) o comando da Casa Legislativa. Por unanimidade, os 20 integrantes da bancada peemedebista decidiram que o partido, por reunir o maior número de senadores na Casa, tem o direito de lançar candidato à presidência.
"A maior bancada do Senado não poderia abrir mão de ter candidato próprio. Não poderíamos encerrar o ano com uma lacuna sobre essa decisão. Temos até o final de janeiro para definir quem será o candidato. Dessa vez, acredito que o consenso [sobre o nome] pode acontecer", disse o líder do PMDB no Senado, Valdir Raupp (RO).
Nos bastidores, peemedebistas reconhecem que o senador José Sarney (PMDB-AP) é o mais cotado para disputar a presidência do Senado. Apesar de já ter sinalizado que não está disposto a entrar numa disputa direta com Viana, Sarney não descartou sua candidatura durante o encontro da bancada.
"Ninguém tocou nesse assunto [de candidato], nem o Sarney definiu que não é candidato. Ele disse que aceita a decisão da bancada. Se o nome dele for decisão da bancada, ele aceita", disse o senador Pedro Simon (PMDB-RS) --também apontado como eventual candidato do partido à presidência do Senado.
Os nomes de Sarney e Simon ganharam força porque têm transito entre os diversos partidos da Casa, incluindo a oposição. Os peemedebistas não descartam a possibilidade do PT retirar a candidatura de Viana caso um nome da legenda tenha o apoio de diversos partidos e consiga unificar a base aliada do governo federal.
"O que apareceu até agora é a candidatura do PT com o argumento de que o PMDB abriu mão da disputa. Mas o PMDB não abriu mão, disse que tem candidato. O PMDB no Senado é a maior bancada, isso não é uma conquista, é um direito natural", afirmou Simon.
Câmara
A decisão da bancada do PMDB do Senado pode prejudicar a candidatura do deputado Michel Temer (PMDB-SP) à presidência da Câmara. O peemedebista conta com o apoio do PT na disputa, mas os petistas barganham o comando do Senado com o argumento de que um único partido não pode ficar na presidência das duas Casas Legislativas.
Com a decisão da candidatura própria, a bancada do PT na Câmara pode recuar no apoio à candidatura de Temer --mesmo depois do PMDB ter apoiado o nome do petista Arlindo Chinaglia (PT-SP) na disputa de 2006 em troca do PT apoiar Temer em fevereiro de 2009.
Os senadores peemedebistas, porém, minimizam a possibilidade da candidatura de Temer sofrer abalos com a decisão do lançamento de candidatura própria no Senado. "Isso não tem nada a ver com a candidatura do deputado Michel Temer. Inúmeras vezes um mesmo partido dirigiu as duas Casas Legislativas", disse o senador Almeida Lima (PMDB-SE).
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