Pitta reaparece e culpa Satiagraha por dificuldades financeiras e atraso na pensão de Nicéa
THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online
Atualizado às 21h43.
O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (PTB) reapareceu em público hoje depois de ficar foragido desde o último dia 19, quando o juiz Francisco Antônio Bianco Neto, da 5ª Vara da Família decretou sua prisão por não comparecer à audiência que julgaria a revisão da pensão alimentícia que ele paga à ex-mulher Nicéa Camargo. Preso em julho na Operação Satiagraha --que investiga crimes financeiros--, Pitta responsabilizou a ação pelas dificuldades financeiras que diz passar no momento e pelo atraso no pagamento da pensão alimentícia.
"Eu vinha, a duras penas, honrando esse compromisso [pensão à ex-mulher] até o mês de junho. Ocorreu em julho, como todos sabem, essa Operação Satiagraha. E com ela, um dano muito grande ao trabalho de consultoria que eu venho fazendo e de onde tirava proventos para o pagamento dessa pensão", afirmou ele hoje.
| André Vicente/Folha Imagem |
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| Ex-prefeito Celso Pitta reaparece e culpa Satiagraha por dificuldades financeiras |
O advogado Remo Battaglia, que defende Pitta, disse que conseguiu um habeas corpus no TJ-SP (Tribunal de Justiça) na tarde desta quarta-feira para o ex-prefeito não ser preso.
O ex-prefeito afirma que atualmente presta serviços de consultoria na financeira. Segundo ele, diversos clientes seus cancelaram contratos após ele ser envolvido na Operação Satiagraha. "As pessoas se retraíram uma vez que eu era objeto de uma investigação bastante extensa", afirmou.
Sobre o período em que ficou foragido, Pitta disse que estava cumprindo compromissos de trabalho no interior do Estado. O ex-prefeito afirmou que, a partir do momento que soube que era foragido da Justiça, fez um um "esforço para levantar recursos" para pagar a dívida à ex-mulher.
Pitta é acusado por Nicéa de atrasar o pagamento da pensão mensal de R$ 20 mil. O valor da dívida seria de cerca de R$ 100 mil.
O ex-prefeito disse que já pagou parte desse montante, mas não especificou quanto. Ele alega que a queda nos seus rendimentos o "impossibilita" de arcar com os valores atuais.
Pitta pede a revisão do valor da pensão. Ele alega não ter condições de pagar R$ 20 mil mensais. O ex-prefeito tenta diminuir a pensão para R$ 7.500.
Pijamas
O ex-prefeito pede uma indenização de 2.000 salários mínimos por danos morais sofridos durante sua prisão na Operação Satiagraha. O valor da indenização corresponde a R$ 830 mil.
Durante a Satiagraha, o ex-prefeito foi flagrado por câmeras de TV em sua residência, de pijamas, ao ser preso, algemado, pela PF.
Na operação, foram presos, Pitta, o banqueiro Daniel Dantas e Nahas, entre outras pessoas. Eles foram soltos após habeas corpus concedidos pela Justiça.
Dantas
O ex-prefeito voltou a afirmar hoje que não tem relação nenhuma com o banqueiro Daniel Dantas, condenado ontem a dez anos de prisão por corrupção ativa pelo juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Criminal de São Paulo. "Não tenho nada a ver com o banco Opportunity, com o senhor Daniel Dantas. Ficou muito claro desde que a Polícia Federal resolveu isolar todo esse processo do Daniel Dantas", disse.



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