Brasil
10/12/2008 - 10h20

Área de arroz em RR cresce 3 campos de futebol por dia

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LUCAS FERRAZ
da Folha de S.Paulo, em Brasília

A demarcação e homologação da terra indígena Raposa/ Serra do Sol (RR) não impediu o crescimento da área destinada à produção de arroz, a principal causa do imbróglio que será retomado no julgamento pelo Supremo Tribunal Federal.

Desde 2005, quando o presidente Lula assinou decreto que homologou a reserva, a área produtiva de arroz cresceu por dia uma média de três campos de futebol de dimensões oficiais. Por ano, a extensão de arroz dentro reserva, atividade considerada ilegal pelo governo, expande 750 hectares --ou cinco parques do Ibirapuera.

A Folha levantou os dados com base em pesquisa do INPA (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), que acompanhou a evolução da área plantada de arroz, com imagens de satélites, entre 1992 e 2005, com a projeção da safra 2008/ 2009 feita pela Associação dos Arrozeiros de Roraima.

Os dados, além de contradizer os rizicultores, que afirmam ocupar a região com a monocultura desde pelo menos os anos de 1970, mostram como eles aumentaram significativamente a produção mesmo com a homologação da área pelo governo, medida que, se cumprida, deveria levar a interrupção da atividade dentro da terra indígena.

Em 1992, segundo o estudo "A invasão das monoculturas - O Desafio da Demarcação da Terra Indígena Raposa/Serra do Sol", o arroz ocupava 2.111 hectares da reserva, que tem área total de 1,7 milhão de hectares. Seis anos depois, quando o governo FHC (1995-2002) demarcou a área, a superfície cultivada já era três vezes maior: 7.585 hectares.

Em 2005, último ano analisado pelo INPA, a rizicultura já respondia por 14.444 hectares. Para a safra 2008/2009, os cinco produtores da região têm disponíveis para cultivar arroz uma área de 17 mil hectares, embora a associação dos arrozeiros diga que a área de cultivo seja um pouco menor. As seis fazendas, juntas, ocupam quase 25 mil hectares, 1,5% da área total da Raposa/Serra do Sol.

Para Vincenzo Lauriola, sócio-economista ecológico e responsável pela pesquisa do INPA, "não há dúvida de que houve má-fé" por parte dos arrozeiros. "Esses empresários se instalaram ali com o objetivo deliberado de que a demarcação não saísse. E isso foi apoiado pelo governo do Estado. Eles não foram para lá inocentemente", afirma ele.

Nelson Itikawa, proprietário da fazenda Vizeu, que fica dentro da área, e presidente da Associação dos Arrozeiros de Roraima, diz que a tendência de qualquer empreendimento é crescer. Segundo ele, a região da Raposa/Serra do Sol tem potencial de expandir mais 100 mil hectares. "Nosso objetivo é aumentar [a produção de arroz] até chegar no limite."

Comentários dos leitores
antonio lucio (1) 18/11/2009 13h13
antonio lucio (1) 18/11/2009 13h13
Será que os retardados mentais que defendem esta miliicia indigina, por tras disto esta as FARC e por tas delas o Chaves, o louco, o debiloide. Pelo amor de Deus. vc querem o que uma querrilha camponesa, entre os sem terra, seringueiros, agricultores, pequenos pecuaristas e os indiginas. Será um massacre atras do outro. O estado é quem que deve estar presente nestes conflitos, esta ai a PF, o Exercito. Agora temos um governo incompetente, irresponsável e incapaz de evitar as invações de terras indiginas ai é outra coisa. Daqui a pouco, vamos ter as milicias, dos seringueiros, dos sem terras (este já existe), dos pequenos pecuaristas e dos agricultores. Teriasmos ai um estado sem lei. Mais ano que vem temos oportunidade de mudar isto. Se Deus quiser vamos mudar e expulsar estes petistas do poder. e olhe quando eles sairem veremos o mar de lama sair das bocas dos bueros e acha lama e podridão. sem opinião
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tereza rocha (3) 17/11/2009 20h28
tereza rocha (3) 17/11/2009 20h28
sem proteção os indios ficam a mercê de todos os perigos existentes na Amazonia.Agora as Farc tambem querem se aproveitar da fraqueza indigena. 1 opinião
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Tiago Garcia (38) 17/11/2009 17h34
Tiago Garcia (38) 17/11/2009 17h34
Se o Estado falha em comparecer e dar proteção a estes silvícolas acho, em minha opinião, que eles tem todo direito de se organizarem e de se protegerem.
E pela boa iniciativa deles de se submeterem ao Estado Brasileiro e nossas leis demonstram muito boa vontade com a nação e merecem sim ser amparados visto a peculiaridade da situação de isolamento e as dificuldades que as policias atuais passam para protege-los.
Apoio a idéia.
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