Brasil
10/12/2008 - 12h03

Menezes Direito vota parcialmente pela homologação contínua da Raposa/Serra do Sol

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Depois de pedir vista no julgamento da homologação da reserva indígena Raposa/Serra do Sol (RR), o ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do STF (Supremo Tribunal Federal), votou nesta quarta-feira pela procedência parcial da demarcação de forma contínua das terras, mas com 18 restrições.

Para o ministro, é fundamental garantir a presença de militares na região como preservação da segurança e também determinar que explorações na reserva devam ser submetidas à decisão da União.

"Não enxergo qualquer vício no processo demarcatório", afirmou Menezes Direito. "De nada adiantam os direitos sem assegurar-lhes as terras", disse ele. "O usufruto dos índios não abrange a garimpagem, a exploração de recursos hídricos nem de pesquisas. O usufruto fica submetido ao interesse nacional."

O ministro Marco Aurélio Mello antecipou nesta quarta-feira que pretende pedir vista para analisar o processo sobre a legalidade da demarcação contínua de terras da reserva. Com isso o julgamento da ação será interrompido hoje e deve ser retomado apenas no próximo ano.

Direito determinou que o Instituto Chico Mendes cumpra o papel de fiscalização na região sobre algumas atividades dos indígenas. Direito afirmou ainda que os indígenas não poderão arrendar suas terras.

Direito lembrou ainda que a reserva está situada em região que é faixa de fronteira. Para ele, é fundamental ouvir o Conselho Nacional de Defesa, uma vez que a reserva está em uma área delicada que é fronteiriça. O ministro rejeitou os argumentos de que houve "erros formais" na demarcação das terras na região.

Em agosto, o ministro-relator da ação, Carlos Ayres Britto, recomendou pela demarcação de forma contínua, como querem os indígenas, o governo federal e a maior parte das organizações não-governamentais. O julgamento foi interrompido pelo pedido de vista de Direito.

Polêmica

A reserva Raposa/Serra do Sol é o nome de uma terra indígena, localizada a nordeste de Roraima. É uma das maiores do país com 1,7 milhão de hectares. A área foi demarcada pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e homologada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Na região vivem cerca de 17 mil indígenas, a maioria da etnia macuxi, mas há também uapixanas, ingaricós, taurepangues e patamonas.

Representantes dessas etnias acompanham o julgamento nesta quarta-feira --alguns do lado de dentro do prédio do STF, mas a maioria de fora.

Também estão presentes ao julgamento os contrários à demarcação de forma contínua, como o prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero (DEM). "Espero que o Supremo tenha misericórdia porque a situação lá [na região da reserva] é muito tensa", disse ele.

Vários parlamentares e autoridades federais assistem, no plenário da Suprema Corte, o julgamento. Entre eles estão os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP), Marina Silva (PT-AC) e João Pedro (PT-AM) e Augusto Botelho (PT-RR), além de Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR).

Comentários dos leitores
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h50
Índios vivem no Brasil em locais onde o sol é intenso e precisam se banhar várias vezes nos rios para se refrescar. Se eles desempenhassem trabalho em indústrias que o governo levasse para suas aldeias, eles receberiam em contra-partida um salário e poderiam ter casas de alvenaria com ar condicionado e ventilador. Com o tempo iriam diminuindo a prática de ir tantas vezes se banhar nos rios. Dizer que índios não gostam de trabalhar e que nunca irão gostar de trabalhar é enganação, porque existem profissionais competentes que poderiam fazê-los acostumar com as tarefas de trabalhos diversos. O governo deveria ser bom de verdade para os índios e ajudá-los de verdade, para que eles se desenvolvam com dignidade que todos seres humanos merecem e por serem brasileiros igual eu sou, eu penso que merecem mesmo a conquista da dignidade de viverem com mais conforto. Más, não é desapropriando terras produtivas para doar muita terra para eles que eles irão ter dignidade de viverem com mais conforto algum dia. Muito menos será isolando eles nas florestas e deixando-os ignorantes para viverem como selvagens. sem opinião
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HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
HILTON FIGUEIREDO COSTA (4) 04/11/2009 23h31
O governo deveria pensar que, em breve os índios que talvez sejam hoje uns 400 mil, serão milhões, e que causarão um enorme impacto ambiental, principalmente afetando muito a fauna porque eles irão caçar mais. Também o fato de representarem uma enorme massa populacional de "desocupados", porque não são a maioria que exerce atividade de plantação de lavouras de subsistência, ou que praticam algum trabalho além de caçar ou pescar. Já aconteceram muitos conflitos em contatos com índios de tribos isoladas e que nunca tiveram contato antes com a civilização, em construções de estradas no interior, em construção de estrada de ferro na região norte, em vilarejos que foram atacados por índios de tribos que não tinham feito contato antes e o governo deveria imaginar que com o aumento das populações indígenas, muitos índios irão sair de suas aldeias e se instalarem em locais onde nascerão outras gerações que viverão isoladas e sujeitos a primeiros contatos com consequências trágicas, e que poderiam ser evitados. Índios precisam receber educação, o governo deve levar para os índios em suas aldeias, indústrias ou fábricas, atividade de criação de animais e de produção de alimentos diversos. Dizem que índios não gostam de trabalhar, más, profissionais competentes existem nesse país e poderiam prestar serviços de assistência aos índios se trabalharem na FUNAI ou para o governo, educanto e treinando os índios para desempenharem tarefas em indústrias e na produção de alimentos. sem opinião
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Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Leonardo Afonso (2) 04/11/2009 18h44
Há mais que a questão dos índios do Xingu, Belo Monte alagaria uma formação geológica única no mundo; e não há demanda humana na área, a energia seria destinada a empresas estrangeiras de alumínio (como a Alcoa), no Maranhão. Tal indústria é intensiva em energia; e é estratégica de fato, mas não está acima de todos outros vetores socio-econômico-ambientais! Mas com Minc e Dilma, colega... sem opinião
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