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Brasil
10/12/2008 - 21h12

Supremo adia julgamento sobre demarcação de terra indígena Raposa/Serra do Sol

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da Folha Online

O STF (Supremo Tribunal Federal) suspendeu nesta quarta-feira o julgamento sobre a demarcação de terras na reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima. Um pedido de vista do ministro Marco Aurélio Mello adiou a decisão final sobre a questão. O julgamento deverá ser retomado apenas no próximo ano com a retomada do ano judiciário, em fevereiro.

Antes do pedido de vista, porém, 8 dos 11 ministros da Suprema Corte se manifestaram a favor da homologação de forma contínua das terras na região com ressalvas.

Alan Marques/Folha Imagem
Índios acompanham julgamento de demarcação dentro de prédio do STF
Índios acompanham julgamento de demarcação dentro de prédio do STF

A Folha Online apurou que a tendência final é que o STF defina por uma decisão intermediária sobre a demarcação. A decisão, segundo especialistas, será referência para outras ações que tramitam na Suprema Corte e também dizem respeito a homologação de áreas indígenas.

Também ficará para 2009 a decisão sobre a liminar ajuizada pelos produtores de arroz que pedem para permanecer no local até o final do julgamento sobre a demarcação de terras na reserva. Para o presidente do STF, Gilmar Mendes, o assunto deverá ser julgado no mesmo momento da outra ação.

Diretrizes

Mesmo sem uma decisão final sobre o tema, os ministros do STF afirmaram que a União terá de mudar a forma como demarca as terras indígenas ao adotar as novas diretrizes que serão definidas pela Suprema Corte.

Alan Marques/Folha Imagem
Ricardo Lewandowski vota pela demarcação contínua e retirada de arrozeiros da reserva
Ricardo Lewandowski vota pela demarcação contínua e retirada de arrozeiros da reserva

As novas diretrizes surgirão a partir do julgamento e da decisão final sobre a homologação da reserva indígena da Raposa/ Serra do Sol. Para Mendes, o assunto será solucionado já no primeiro semestre de 2009.

"Por outro lado, o tribunal se pronunciou sobre como deve ser o procedimento de demarcação nos novos casos, inclusive dos casos em curso, há pronunciamentos nesse sentido, a participação do Estado e do município, [além da] necessidade de que haja a participação plural de técnicos, que não haja um único antropólogo", disse o presidente do Supremo.

Liminar

Também no julgamento, suspenso hoje, oito ministros anteciparam seus votos sobre a liminar que concede o direito dos não-índios, no caso os produtores de arroz, de permanecerem na região. Pela liminar, os arrozeiros podem ficar no local até a decisão final sobre a demarcação das terras indígenas.

Mas para oito, dos 11 ministros da Suprema Corte, a liminar deve ser cassada. No entanto, o ministro Marco Aurélio Mello --- que pediu vista na ação sobre a demarcação da reserva--- também pediu vista sobre a liminar, adiando a decisão.

Lula Marques/Folha Imagem
Prédio do STF é cercado por medida de segurança durante julgamento sobre reserva
Prédio do STF é cercado por medida de segurança durante julgamento sobre reserva

Para Ayres Britto, os arrozeiros, não têm o que comemorar com o adiamento da decisão para o próximo ano. '[Eles só tem a comemorar] só se for para colher uma safra ainda não colhida, porque a causa já foi decidida por oito votos', disse o ministro.

Ressalvas

O ministro Carlos Alberto Menezes Direito votou parcialmente em favor da homologação de forma contínua, mas fez 18 ressalvas. Para Direito, é fundamental estabelecer normas para a preservação ambiental na região, proibição de cobrança de tarifas para a entrada de não-índios na área e a retirada dos produtores rurais.

Anteriormente, o ministro-relator da ação, Carlos Ayres Britto, recomendou a demarcação da reserva deve ser contínua e também como obrigatória a retirada imediata dos produtores rurais da região.

O ministro Cezar Peluso também foi favorável à demarcação de forma contínua, assim como Joaquim Barbosa. Já a ministra Cármen Lúcia foi favorável à demarcação de forma contínua, mas recomendou entre suas restrições o direito de os não-índios permanecerem no local.

Lula Marques/Folha Imagem
Índios fazem manifestação na praça dos Três Poderes durante julgamento no Supremo
Índios fazem manifestação na praça dos Três Poderes durante julgamento no Supremo

Porém, o ministro Ricardo Lewandowski disse ser favorável à demarcação contínua e assim como o relator, recomendou a retirada imediata de todos os não-índios. Já Ellen Gracie, ex-presidente do STF, também votou favoravelmente à demarcação contínua, seguindo as ressalvas de Direito.

Repercussão

Com o adiamento do julgamento tanto da ação, como também da liminar para 2009, os representantes dos indígenas vão pedir mais segurança na reserva Raposa/Serra do Sol. A advogada Joênia Batista de Carvalho, do povo wapichana, apelou para que o policiamento seja reforçado na região.

"A gente esta requerendo desde já, as autoridades e a Funai para reforçar a segurança na região a fim de manter a tranqüilidade. Nós já sabemos o resultado, e eles [arrozeiros] também já sabem que vão ter que deixar a área, então é melhor aumentar a segurança para evitar novos confrontos", disse a advogada, em nome das várias etnias que vivem na região.

Para Júlio José de Souza, índio da etnia macuxi que vive na reserva, o adiamento da decisão representou um prolongamento dos conflitos que acontecem há anos. "Não se pode brincar assim como o ministro [Mello] está brincando com a vida dos povos indígenas", afirma.

O prefeito de Pacaraima (RR) e arrozeiro, Paulo César Quartiero, comemorou o adiamento, mas reclamou da tendência favorável à demarcação de forma contínua e pela retirada dos produtores rurais.

"Com essa decisão o governo está vendendo a Amazônia. Agora está lutando para desocupar e entregá-la aos novos proprietários", disse ele. "[O adiamento] é bom porque vai amadurecer mais a questão. O tempo está a nosso favor."

O presidente da Funai, Márcio Meira, ignorou as críticas de Quartiero e celebrou o resultado parcial do julgamento. "Conseguimos no STF uma vitória histórica, mais uma vez a nossa luta,a união, força foram reconhecidas. A principal vitória é com relação ao prós e contras. O Supremo sacramentou definitivamente esta questão. Isso não vale só pra Raposa mas pra todas as outras terras", disse.

Comentários dos leitores
Valentin Makovski (334) 03/12/2009 13h55
Valentin Makovski (334) 03/12/2009 13h55
A politica de preservação de terras indígenas no Brasil é tão patética que da dó. Não de agora mas de anos e muitos anos atras, se criou reservas indígenas a deus dará, a mesma política de assentamentos de terra, se dá a terra e se esquece do cara, da familia do assentado. Depois de 20 anos se volta lá e se confirma que ele não esta mais lá, vendeu a terra a preço de banana, ou mesmo morreu de fome. Com os indios se faz o mesmo, o Brasil tem 8 Milhões de metros quadrados, tem terra que não acaba mais, pq se tem esses problemas???? Se o governo cria uma reserva indígena, pq não se proteje ela? Pq se deixa um grupo de garimperos chegar até lá?? Sabe e uma estupidez brutal ficar aqui discutindo o pq disso o pq daquilo, temos leis no Brasil que são como o queijop suíço, cheio de buracos, não servem p/ nada. Indios são indios, não são sem terras, não são produtores rurais, não são garimperos, são Indios. E Indios tem que ter sua terra, e ser protegidos pelo Estado, Estado quer dizer Exercito, Marinha, Aeronáutica, Polícia Federal, etc, etc. Garimperos, Grilheiros, Invasors, tem que ser combatidos por todos aquelas instituições que protegem os Indios, é fácil e simples de entender. sem opinião
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Jonas Bastos (1) 26/11/2009 19h38
Jonas Bastos (1) 26/11/2009 19h38
É bom que Peru e Brasil tomem mais rapido possivel medidas duras para combater o narcotrafico,contrabando de armas, grupos de exterminios e etc,nas suas froteiras como é o caso da regiao do Alto Rio Solimoes esquecida pelo proprio estado brasileiro... sem opinião
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antonio lucio (1) 18/11/2009 13h13
antonio lucio (1) 18/11/2009 13h13
Será que os retardados mentais que defendem esta miliicia indigina, por tras disto esta as FARC e por tas delas o Chaves, o louco, o debiloide. Pelo amor de Deus. vc querem o que uma querrilha camponesa, entre os sem terra, seringueiros, agricultores, pequenos pecuaristas e os indiginas. Será um massacre atras do outro. O estado é quem que deve estar presente nestes conflitos, esta ai a PF, o Exercito. Agora temos um governo incompetente, irresponsável e incapaz de evitar as invações de terras indiginas ai é outra coisa. Daqui a pouco, vamos ter as milicias, dos seringueiros, dos sem terras (este já existe), dos pequenos pecuaristas e dos agricultores. Teriasmos ai um estado sem lei. Mais ano que vem temos oportunidade de mudar isto. Se Deus quiser vamos mudar e expulsar estes petistas do poder. e olhe quando eles sairem veremos o mar de lama sair das bocas dos bueros e acha lama e podridão. 1 opinião
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