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Brasil
11/12/2008 - 13h09

Mendes relembra AI-5 e critica manobra para limitar concessão de habeas corpus

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, defendeu nesta quinta-feira a independência do Poder Judiciário sem a possibilidade de se limitar a concessão de habeas corpus pelas autoridades judiciais. Ao lembrar os 40 anos da decretação do AI-5 (ato institucional que endureceu a ditadura militar brasileira) durante cerimônia na Câmara, Mendes criticou articulações para limitar a concessão de habeas corpus pela Justiça.

"É fundamental que neste dia em que lembramos do AI-5, ressaltemos a necessidade de preservação do habeas corpus, não a sua limitação. O habeas corpus é a garantia dos direitos judiciais", afirmou.

No Congresso, parlamentares defenderam silenciosamente a limitação na concessão de habeas corpus depois que Mendes autorizou por duas vezes a libertação do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, durante a Operação Satiagraha. O presidente do STF foi acusado de agir em favor do banqueiro.

Procuradores da República chegaram a articular a apresentação, no Senado, de um pedido de impeachment do presidente do STF em razão de sua atuação nos habeas corpus de Dantas.

Mendes e o ministro Tarso Genro (Justiça) também protagonizaram uma crise entre os dois Poderes depois que o ministro criticou a concessão de habeas corpus ao banqueiro. Mendes, em resposta, afirmou que Tarso não tinha "competência" para opinar sobre o assunto.

O presidente do STF disse o habeas corpus é uma "garantia de liberdade" que foi cerceada dos brasileiros durante o período mais duro da ditadura militar. "O AI-5 tirou a independência judicial e o habeas corpus, fez as restrições expressivas ao habeas corpus naquele momento, assim como retirou as garantias básicas da independência judicial. Às vezes há críticas ao habeas corpus, e alguns propõem restrições, eu quis lembrar isso como fator de liberdade. O habeas corpus é uma garantia de liberdade", afirmou.

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), descartou qualquer articulação na Casa para a limitação dos poderes do Judiciário.

"Ele [Mendes], com a minha concordância, fez a defesa de que a independência do Poder Judiciário é uma conquista da sociedade. Com a independência do Judiciário é possível fazer a defesa dos cidadãos. Não interpretei como nenhuma referência à suposta iniciativa de quem quer que seja. Eu concordo com as palavras do presidente Gilmar Mendes", afirmou.

Comentários dos leitores
bruno oliva (1) 03/12/2009 11h02
bruno oliva (1) 03/12/2009 11h02
O ridículo e a demência é ver pessoas preocupadas em distrair a população ignorante com assuntos desses, enquanto outros estão aí a roubar.
Acredito que alguns assuntos do passado tenham que ser investigados, mas francamente, ninguém está a perceber que isso é golpe político contra o Maluf?!?!?
Bruno Oliva
sem opinião
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Breno Bacci (14) 29/11/2009 19h29
Breno Bacci (14) 29/11/2009 19h29
Sr. Alcides: "É triste ver estruturas publicas em vez de estarem cumprindo com suas funções de trabalharem para o bem estar social da Nação[...]"___________________Poderia, por gentileza, me explicar como combater a impunidade, ainda que de crimes cometidos há 40 anos atrás, é trabalhar contra o bem-estar social da Nação? A menos que o sr. considere que assassinato não seja crime - na minha opinião matar alguém é crime, seja guerrilheiro do Araguaia ou seja capitão do exército. Na minha análise subjetiva, no entanto, quando o autor do crime ocupa um cargo público que deveria zelar pela nossa segurança, isso seria um agravante - e acredito que o Código Penal compartilha essa minha visão. Não me incomodo se ambos os lados da luta da ditadura receberem a mesma pena, embora ache que os amiguinhos da Junta deveriam ser punidos mais severamente. Afinal, a motivação deles foi receber propina da CIA anti-comunista. A dos guerrilheiros era uma sociedade mais igualitária - ainda que o Lula agore nos prove que era tudo história pra boi dormir. Nem faço tanta questão de cadeia. Afinal, acredito que o povo brasileiro teria muito mais a ganhar se a Eucatex do sr. Maluf fosse substituída por uma empresa cujo dono não tenha ajudado a acorbertar "desaperecimentos" políticos. Não vejo como recompensar a violência e o extermínio da liberdade de expressão possa ser benéfico para a massa pobre do nosso país. Ao tapar os olhos, quem sai ganhando? 1 opinião
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Elias inácio (23) 29/11/2009 11h25
Elias inácio (23) 29/11/2009 11h25
Se punir todos os culpados,terão de construír muitos presídios.
Agora, porque so Maluf, e, Tuma.
sem opinião
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