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Brasil
13/12/2008 - 10h07

Há 40 anos nascia o AI-5, um dos principais símbolos da ditadura

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Há 40 anos, o então presidente Arthur da Costa e Silva (1967-1969) redigiu o AI-5 (Ato Institucional número 5) que se transformou em um dos principais símbolos da ditadura (1964-1985). O ato concedia poder irrestrito aos governantes com direito à censura a meios de comunicação e ao fechamento do Congresso Nacional, Assembléias Legislativas e Câmaras Municipais.

13.dez.1968/Iconographia
O então ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva anuncia o ato AI-5 na Agência Nacional ao lado do locutor Alberto Cury
O então ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva anuncia o ato AI-5 na Agência Nacional ao lado do locutor Alberto Cury

O AI-5 foi o quinto decreto de 17 emitidos durante o período militar, além de 104 complementares. Mas ganhou destaque por ter sido o mais duro dos decretos editados na ditadura e por cassar os direitos políticos.

A partir deste ato, o Congresso Nacional ficou fechado por cerca de um ano, os meios de comunicação e artísticos foram censurados, proibidas as reuniões e manifestações de cunho político e suspenso o direito de utilização do recurso jurídico do habeas corpus para os crimes políticos.

O ato, no entanto, não ganhou o apoio de parte do bloco governista no Congresso. Parlamentares que integravam a Arena, que era o partido do governo, reagiram às ordens do AI-5.

O ato durou cerca de dez anos. Em 1978, o então presidente, o general Ernesto Geisel, revogou o AI-5, restaurou a maioria dos direitos fundamentais dos cidadãos brasileiros e iniciou a abertura política.

De acordo com estudiosos, o pretexto utilizado pelo governo para instaurar o AI-5 foi uma reação ao então deputado Márcio Moreira Alves (MDB), que fez um discurso na Câmara sugerindo o boicote às comemorações do 7 de Setembro. Os militares chegaram a sugerir que a Casa decretasse uma punição a Alves. O que não ocorreu.

Ordens

Com o AI-5, uma série de decisões foram aplicadas imediatamente. A primeira foi o fechamento por tempo indeterminado do Congresso Nacional. Foi decretada ainda a concessão de recesso dos mandatos de senadores, deputados e vereadores, o que também limitou a atuação das assembléias estaduais e câmaras municipais.

O ato autorizou ainda, em nome do chamado interesse nacional, a intervenção federal nos Estados e municípios. Por meio deste decreto, foi permitido também legislar por decreto-lei.

A partir do AI-5 ficou autorizado que, depois de investigações, seria permitido decretar o confisco de bens daqueles que, porventura, enriqueceram de forma ilícita. A ordem valia para os casos que envolvessem o exercício atividades públicas.

O ato concedeu ao presidente da República o direito de decretar o estado de sítio e prorrogá-lo. Por fim, foram proibidas reuniões, manifestações e agrupamentos de cunho político;

A partir de 13 dezembro de 1968, foi endurecida a censura estendendo a ordem de avaliação prévia para composições musicais, obras teatrais, filmes. A orientação era vetar temas de caráter político e de valores imorais.

Comentários dos leitores
bruno oliva (1) 03/12/2009 11h02
bruno oliva (1) 03/12/2009 11h02
O ridículo e a demência é ver pessoas preocupadas em distrair a população ignorante com assuntos desses, enquanto outros estão aí a roubar.
Acredito que alguns assuntos do passado tenham que ser investigados, mas francamente, ninguém está a perceber que isso é golpe político contra o Maluf?!?!?
Bruno Oliva
sem opinião
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Breno Bacci (14) 29/11/2009 19h29
Breno Bacci (14) 29/11/2009 19h29
Sr. Alcides: "É triste ver estruturas publicas em vez de estarem cumprindo com suas funções de trabalharem para o bem estar social da Nação[...]"___________________Poderia, por gentileza, me explicar como combater a impunidade, ainda que de crimes cometidos há 40 anos atrás, é trabalhar contra o bem-estar social da Nação? A menos que o sr. considere que assassinato não seja crime - na minha opinião matar alguém é crime, seja guerrilheiro do Araguaia ou seja capitão do exército. Na minha análise subjetiva, no entanto, quando o autor do crime ocupa um cargo público que deveria zelar pela nossa segurança, isso seria um agravante - e acredito que o Código Penal compartilha essa minha visão. Não me incomodo se ambos os lados da luta da ditadura receberem a mesma pena, embora ache que os amiguinhos da Junta deveriam ser punidos mais severamente. Afinal, a motivação deles foi receber propina da CIA anti-comunista. A dos guerrilheiros era uma sociedade mais igualitária - ainda que o Lula agore nos prove que era tudo história pra boi dormir. Nem faço tanta questão de cadeia. Afinal, acredito que o povo brasileiro teria muito mais a ganhar se a Eucatex do sr. Maluf fosse substituída por uma empresa cujo dono não tenha ajudado a acorbertar "desaperecimentos" políticos. Não vejo como recompensar a violência e o extermínio da liberdade de expressão possa ser benéfico para a massa pobre do nosso país. Ao tapar os olhos, quem sai ganhando? 1 opinião
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Elias inácio (23) 29/11/2009 11h25
Elias inácio (23) 29/11/2009 11h25
Se punir todos os culpados,terão de construír muitos presídios.
Agora, porque so Maluf, e, Tuma.
sem opinião
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