Brasil
12/12/2008 - 18h27

Para professor, AI-5 deixou "herança maldita" na educação do país

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THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

Não foram as marcas e lembranças da perseguição e tortura sofridas durante a ditadura militar no Brasil que preocupam o professor Antonio Roberto Espinosa, preso de 1969 a 1973 sem nenhuma acusação formal. Ele admite não sentir mágoas de seus torturadores, a quem chama de "agentes de uma força maior", e diz que a "herança maldita" do Ato Institucional nº5 --que neste sábado (13) completa 40 anos e marcou o período-- ficou para a educação pública do país.

Marcos Napolitano fala sobre o AI5

13.dez.1968/Iconographia
O então ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva anuncia o ato AI-5 na Agência Nacional ao lado do locutor Alberto Cury
O então ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva anuncia o ato AI-5 na Agência Nacional ao lado do locutor Alberto Cury

Estudante de filosofia da USP (Universidade de São Paulo) na época, Espinosa fez parte de movimentos que contestavam o comando dos militares no país, como o VAR (Vanguarda Armada Revolucionária) Palmares e o VPR (Vanguarda Popular Revolucionária).

Quarenta anos depois e doutor em Ciência Política pela mesma USP, afirma que o AI-5 iniciou o período mais triste da história brasileira. "O AI-5 abriu a história do Brasil para o período de maior violência, o período mais triste da história do nosso país, um momento que abriu a possibilidade da covardia dos Estado brasileiro contra os seus concidadãos", diz.

O controle das liberdades é apontado por Espinosa como responsável por, praticamente, acabar com o ensino público no país. "Até hoje repercute nos baixos níveis da educação e na educação pública como a educação de terceira categoria, o que aprofundou as diferenças sociais do nosso país."

Mesmo com a nova Constituição e todos os esforços feitos pelos sucessivos presidentes desde a redemocratização, em 1985, o professor afirma que o país ainda não conseguiu superar a herança deixada pelo ato.

"Não foi superado. Houve esforços dos sucessivos governos democráticos [...]. Foi uma deterioração tão profunda que não dá para enxergar em que momento o Brasil vai sair desse poço", afirma Espinosa, que defende a abertura dos arquivos secretos da ditadura para que o país possa colocar todos os "pontos nos is".

"Enquanto o Brasil não ajustar contas com a sua história ele não vai constituir uma democracia sustentável", afirma.

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (1136) 11/05/2009 23h05
Alcides Emanuelli (1136) 11/05/2009 23h05
Será que tudo isso não poderia fazer parte da nossa história tão controvertida.
Os problemas agora são outros e bem piores se não houve revolução armada na época do golpe militar, em 1964, hoje existe uma revolução social no seio da sociedade brasileira que mata por ano mais de 46.000 mil pessoas de homicidios.
Se foi errado o golpe no estado pelos militares, tabme erros do outro lado do Rio algumas arruaças armadas que ceifaram vidas de inocentes, os dois lados queriam o Poder para do Poder tirarem todo o lucro possivel para seus grupos.
Os erros dos militares continua até hoje e ninguem faz nada com as aposentadoias vitalicias para as filhas de militares e de alguns malandros.
E os outros estão no Poder e no Poder cedido para eles pelos militares sempre através de conchavos com lucros astronomicos para os dois lados, eles tem o Poder e todo o lucro possivel que conseguem com o Poder.
Mas continuando ontem havia uma ditadura militar, hoje temos uma ditadura dos militares em conjunto com a turma do outro lado do Rio, dos Intelectuais, dos Artistas, dos sindicalistas do Professores que não sabem ensinar e sim inchar o sistema com seu empreguismo.
Esse é o novo modelo de Brasil Patria Amada, onde um Presidente NeoCaudilhesco se denomina Rei dos miseraveis, sendo ele um pertencente de castas nobres com muito dinheiro no bolso para gastar.
Agora saber porque sempre se busca fatos passados e através da burocracia, tirar muito dinheiro do povo, procurando e julgando o passado.
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João Carlos Gagliardi (1239) 11/05/2009 22h12
João Carlos Gagliardi (1239) 11/05/2009 22h12
Governo anuncia abertura de parte dos arquivos sigilosos da ditadura...
Interessante como insistem com o errôneo termo "ditadura".
O que havia no Brasil na época, era uma guerra não declarada.
Os mesmos que criaram uma "Cortina de Ferro"no leste europeu, tentavam agora com a ajuda dos guerrilheiros tupiniquins, inspirados pelo assassino da ilha do Caribe, fazer a mesma coisa no Brasil.
Se o "outro lado", tivesse ganho a luta, hoje contabilizaríamos muitos milhares de mortos, que sempre foi a marca registrada da implantação de regimes comunistas totalitários.
Aquela "ditadura" não foi nada, se comparada ao que nos reservaria a outra opção.
Se hoje reclamam do que aconteceu naqueles dias, foi graças a patriotas que deram suas vidas para garantir a democracia que persiste, a despeito de novas gerações de parasitas, que tentam recriar aquela época.
Não percam tempo em tentar aquilo de novo, seriam derrotados novamente.
Aqui não é a Venezuela...
2 opiniões
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Rui Ruz Caputi Caputi (1245) 11/05/2009 21h48
Rui Ruz Caputi Caputi (1245) 11/05/2009 21h48
Tenho 51 anos, vivi em parte o periodo do regime militar. Agora começo a ter grandes dúvidas sobre o que seria menos pior para o povo. Pergunto cá com os meus botões. Quem se lixaria menos para o povo? Os generais de outrora ou nossos atuais políticos? Lembro-me claramente do Gal. Figueiredo, desafiando os terroristas soltadores de bombas a jogarem as bombas nele e não no povo. Será que nossos politicos atuais teriam o mesmo destermor do Figueiredo?
São fatos historicos incontestáveis, todos cinquentões se recordam com certeza.
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