Brasil
12/12/2008 - 18h24

Presidentes da Câmara e do Senado dizem que AI-5 foi página sombria da história

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O fechamento do Congresso Nacional pelo AI-5 (ato institucional que endureceu a ditadura militar brasileira) é lembrado como algo "sombrio", até os dias de hoje, por deputados e senadores que defendem o regime democrático brasileiro. O presidente do Congresso, Garibaldi Alves (PMDB-RN), cita os 40 anos da edição do AI-5 como um fato histórico que deve ser relembrado para impedir que novos regimes autoritários se instalem no país.

"É uma página sombria que deve ser lembrada como uma lição para que nós não possamos ter, nem de longe, acontecimentos como aqueles que geraram tanta intranqüilidade e terminaram por criar um regime ditatorial que o país repele hoje. Ainda bem que a democracia está aí", afirmou.

13.dez.1968/Iconographia
O então ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva anuncia o ato AI-5 na Agência Nacional ao lado do locutor Alberto Cury
O então ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva anuncia o ato AI-5 na Agência Nacional ao lado do locutor Alberto Cury

O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), disse que o resgate da memória do AI-5 reforça as críticas ao fechamento do Congresso e ao cerceamento das liberdades individuais em todo país. "Não podemos admitir o Congresso brasileiro fechado. Cada um de nós deve se concentrar na sua função, em seu trabalho cotidiano permanente, de fazermos a construção de uma sociedade mais justa, livre, democrática", afirmou.

Para Chinaglia, o AI-5 foi uma "virada" dentro da própria ditadura militar, endurecendo os atos iniciados pelo regime quatro anos antes da sua decretação --no dia 13 de dezembro de 1968.

"O AI-5 foi considerado e foi, de fato, uma virada numa ditadura que se iniciou quatro anos antes e que agravou tudo aquilo que tinha de violência, de restrição às liberdades, de desrespeito aos direitos humanos, ao Poder Judiciário, ao Poder Legislativo. Houve a cassação de inúmeros deputados, senadores. Houve a prisão de homens e mulheres que simplesmente defendiam idéias", afirmou.

Chinaglia disse que o ato usou de um "arcabouço jurídico imposto de forma ilegítima" para impedir que "qualquer pessoa no Brasil tivesse a possibilidade de reivindicar seus direitos". O deputado disse que, apesar do clima internacional estar permeado na época pela "guerra fria entre Brasil e Estados Unidos", interesses "conservadores" apoiaram o regime ditatorial.

Chinaglia e Garibaldi comemoraram o fato de, 40 anos depois, o AI-5 ser lembrado como algo que ficou no passado --sem ações que possam voltar a colocar em risco o regime democrático brasileiro. "Ao mesmo tempo em que lembramos com tristeza o AI-5, lembramos com alegria os 20 anos da Constituição de 1988. O Congresso livre e aberto é fundamental. Foi tudo aquilo que se esperou pudesse acontecer no nosso país, e realmente está acontecendo", disse Garibaldi.

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (1136) 11/05/2009 23h05
Alcides Emanuelli (1136) 11/05/2009 23h05
Será que tudo isso não poderia fazer parte da nossa história tão controvertida.
Os problemas agora são outros e bem piores se não houve revolução armada na época do golpe militar, em 1964, hoje existe uma revolução social no seio da sociedade brasileira que mata por ano mais de 46.000 mil pessoas de homicidios.
Se foi errado o golpe no estado pelos militares, tabme erros do outro lado do Rio algumas arruaças armadas que ceifaram vidas de inocentes, os dois lados queriam o Poder para do Poder tirarem todo o lucro possivel para seus grupos.
Os erros dos militares continua até hoje e ninguem faz nada com as aposentadoias vitalicias para as filhas de militares e de alguns malandros.
E os outros estão no Poder e no Poder cedido para eles pelos militares sempre através de conchavos com lucros astronomicos para os dois lados, eles tem o Poder e todo o lucro possivel que conseguem com o Poder.
Mas continuando ontem havia uma ditadura militar, hoje temos uma ditadura dos militares em conjunto com a turma do outro lado do Rio, dos Intelectuais, dos Artistas, dos sindicalistas do Professores que não sabem ensinar e sim inchar o sistema com seu empreguismo.
Esse é o novo modelo de Brasil Patria Amada, onde um Presidente NeoCaudilhesco se denomina Rei dos miseraveis, sendo ele um pertencente de castas nobres com muito dinheiro no bolso para gastar.
Agora saber porque sempre se busca fatos passados e através da burocracia, tirar muito dinheiro do povo, procurando e julgando o passado.
sem opinião
avalie fechar
João Carlos Gagliardi (1239) 11/05/2009 22h12
João Carlos Gagliardi (1239) 11/05/2009 22h12
Governo anuncia abertura de parte dos arquivos sigilosos da ditadura...
Interessante como insistem com o errôneo termo "ditadura".
O que havia no Brasil na época, era uma guerra não declarada.
Os mesmos que criaram uma "Cortina de Ferro"no leste europeu, tentavam agora com a ajuda dos guerrilheiros tupiniquins, inspirados pelo assassino da ilha do Caribe, fazer a mesma coisa no Brasil.
Se o "outro lado", tivesse ganho a luta, hoje contabilizaríamos muitos milhares de mortos, que sempre foi a marca registrada da implantação de regimes comunistas totalitários.
Aquela "ditadura" não foi nada, se comparada ao que nos reservaria a outra opção.
Se hoje reclamam do que aconteceu naqueles dias, foi graças a patriotas que deram suas vidas para garantir a democracia que persiste, a despeito de novas gerações de parasitas, que tentam recriar aquela época.
Não percam tempo em tentar aquilo de novo, seriam derrotados novamente.
Aqui não é a Venezuela...
2 opiniões
avalie fechar
Rui Ruz Caputi Caputi (1245) 11/05/2009 21h48
Rui Ruz Caputi Caputi (1245) 11/05/2009 21h48
Tenho 51 anos, vivi em parte o periodo do regime militar. Agora começo a ter grandes dúvidas sobre o que seria menos pior para o povo. Pergunto cá com os meus botões. Quem se lixaria menos para o povo? Os generais de outrora ou nossos atuais políticos? Lembro-me claramente do Gal. Figueiredo, desafiando os terroristas soltadores de bombas a jogarem as bombas nele e não no povo. Será que nossos politicos atuais teriam o mesmo destermor do Figueiredo?
São fatos historicos incontestáveis, todos cinquentões se recordam com certeza.
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (80)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca