Brasil
12/12/2008 - 18h26

Parlamentares dizem que resistência ao AI-5 deve ser lembrada pela luta pela democracia

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Parlamentares que participaram dos movimentos de resistência à ditadura militar (1964-1985), ou acompanharam à distância a decisão do governo de decretar o AI-5 (Ato Institucional nº 5), lembram com pesar do ato que endureceu a repressão contra aqueles que se opunham ao sistema em vigor.

13.dez.1968/Iconographia
O então ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva anuncia o ato AI-5 na Agência Nacional ao lado do locutor Alberto Cury
O então ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva anuncia o ato AI-5 na Agência Nacional ao lado do locutor Alberto Cury

Parte dos estudantes e militantes que lutaram contra a ditadura, que hoje ocupam cadeiras no parlamento brasileiro, afirmam que o AI-5 deve ser lembrado como símbolo da luta em prol da democracia no país.

O deputado José Genoino (PT-SP) --que ingressou no movimento estudantil em 1967 e participou ativamente da guerrilha do Araguaia-- disse que a memória do AI-5 serve de "energia para transformar o presente e o futuro na construção democrática" do país.

O petista afirmou que, no dia em que o ato foi decretado (13 de dezembro de 1968), deu início à sua militância clandestina fugindo de Fortaleza (CE) escondido em um porta-malas de um carro para viver em São Paulo.

"Foi uma resistência heróica em que nós, que participamos da forma mais radical, a resistência armada, fomos derrotados, mas uma resistência legítima, generosa e heróica. Ao falar desses 40 anos do AI-5, queremos reafirmar o nosso compromisso com a democracia, com o valor universal da democracia, com o seu permanente aperfeiçoamento institucional, político, social e econômico."

O deputado Chico Alencar (PT-RJ), que naquele 13 de dezembro era estudante no Rio de Janeiro, disse que o ato cassou muito mais que os direitos políticos no país. "Eu era presidente do grêmio do colégio Aplicação, no Rio. O grêmio foi fechado com o AI-5, eu acabei expulso do colégio. Havia o decreto 477 que determinava que qualquer estudante que participasse de atividades políticas ou subversivas era expulso da unidade. Ele cassava o direito de estudar", lembrou Alencar.

O deputado disse que, 40 anos depois do ato que fechou o Congresso Nacional, o Legislativo deve refletir sobre sua real função de representar o povo brasileiro. "Similar a um Congresso Nacional fechado é um Congresso com representação medíocre. Temos deputados cassados pelo arbítrio da ditadura, e hoje temos cassados por corrupção. Aqueles da ditadura foram cassados por injustiça, estes por mau uso da liberdade conquistada."

Com o fechamento do Congresso, parlamentares tiveram automaticamente os seus direitos políticos cassados. Servidores públicos que participavam de greves e outras manifestações contrárias ao regime também acabaram afastados de suas funções, como o ex-servidor da Novacap (Companhia Urbanizadora da Nova Capital), empresa que construiu Brasília, Sebastião de Barros.

"Eu era jornalista e servidor da Novacap, integrante da associação dos servidores. Os militares não gostavam da associação dos servidores. Quando decretávamos greve, parava tudo. Eu era secretário da associação. Perdi o cargo por ser secretário da associação, após a decretação do AI-5. A Maria Aparecida, minha esposa, teve que tomar conta da família", lembra o servidor que foi homenageado pela Câmara no ato "Fechamento do Congresso nunca mais 40 anos do AI-5", realizado nesta quinta-feira.

Outro lado

Apesar da maioria dos deputados e senadores repudiarem o AI-5, o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) ocupou a tribuna da Câmara nesta quinta-feira para defender o ato decretado pelos militares.

"Eu louvo o AI-5 porque colocou um freio naqueles da esquerda que pegavam em armas, seqüestravam, torturavam, assassinavam e praticavam atos de terror em nosso país. Dizem que o AI-5 fechou o Congresso Nacional dando poderes ao Executivo para legislar, assumir as nossas atribuições, via decreto-lei. Pergunto: qual a diferença entre decreto-lei e medidas provisórias? Nenhum."

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (1136) 11/05/2009 23h05
Alcides Emanuelli (1136) 11/05/2009 23h05
Será que tudo isso não poderia fazer parte da nossa história tão controvertida.
Os problemas agora são outros e bem piores se não houve revolução armada na época do golpe militar, em 1964, hoje existe uma revolução social no seio da sociedade brasileira que mata por ano mais de 46.000 mil pessoas de homicidios.
Se foi errado o golpe no estado pelos militares, tabme erros do outro lado do Rio algumas arruaças armadas que ceifaram vidas de inocentes, os dois lados queriam o Poder para do Poder tirarem todo o lucro possivel para seus grupos.
Os erros dos militares continua até hoje e ninguem faz nada com as aposentadoias vitalicias para as filhas de militares e de alguns malandros.
E os outros estão no Poder e no Poder cedido para eles pelos militares sempre através de conchavos com lucros astronomicos para os dois lados, eles tem o Poder e todo o lucro possivel que conseguem com o Poder.
Mas continuando ontem havia uma ditadura militar, hoje temos uma ditadura dos militares em conjunto com a turma do outro lado do Rio, dos Intelectuais, dos Artistas, dos sindicalistas do Professores que não sabem ensinar e sim inchar o sistema com seu empreguismo.
Esse é o novo modelo de Brasil Patria Amada, onde um Presidente NeoCaudilhesco se denomina Rei dos miseraveis, sendo ele um pertencente de castas nobres com muito dinheiro no bolso para gastar.
Agora saber porque sempre se busca fatos passados e através da burocracia, tirar muito dinheiro do povo, procurando e julgando o passado.
sem opinião
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João Carlos Gagliardi (1239) 11/05/2009 22h12
João Carlos Gagliardi (1239) 11/05/2009 22h12
Governo anuncia abertura de parte dos arquivos sigilosos da ditadura...
Interessante como insistem com o errôneo termo "ditadura".
O que havia no Brasil na época, era uma guerra não declarada.
Os mesmos que criaram uma "Cortina de Ferro"no leste europeu, tentavam agora com a ajuda dos guerrilheiros tupiniquins, inspirados pelo assassino da ilha do Caribe, fazer a mesma coisa no Brasil.
Se o "outro lado", tivesse ganho a luta, hoje contabilizaríamos muitos milhares de mortos, que sempre foi a marca registrada da implantação de regimes comunistas totalitários.
Aquela "ditadura" não foi nada, se comparada ao que nos reservaria a outra opção.
Se hoje reclamam do que aconteceu naqueles dias, foi graças a patriotas que deram suas vidas para garantir a democracia que persiste, a despeito de novas gerações de parasitas, que tentam recriar aquela época.
Não percam tempo em tentar aquilo de novo, seriam derrotados novamente.
Aqui não é a Venezuela...
2 opiniões
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Rui Ruz Caputi Caputi (1245) 11/05/2009 21h48
Rui Ruz Caputi Caputi (1245) 11/05/2009 21h48
Tenho 51 anos, vivi em parte o periodo do regime militar. Agora começo a ter grandes dúvidas sobre o que seria menos pior para o povo. Pergunto cá com os meus botões. Quem se lixaria menos para o povo? Os generais de outrora ou nossos atuais políticos? Lembro-me claramente do Gal. Figueiredo, desafiando os terroristas soltadores de bombas a jogarem as bombas nele e não no povo. Será que nossos politicos atuais teriam o mesmo destermor do Figueiredo?
São fatos historicos incontestáveis, todos cinquentões se recordam com certeza.
sem opinião
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