Brasil
12/12/2008 - 18h04

40 anos após AI-5, governo concede anistia a ex-presos políticos

Publicidade

THIAGO FARIA
colaboração para a Folha Online

Às vésperas dos 40 anos do Ato Institucional nº5, o Ministério da Justiça promoveu nesta sexta-feira evento para lembrar o ato e também discutir seus significados na política do regime. Durante o encontro, a Comissão de Anistia --ligada ao ministério-- também realizou o julgamento de quatro ex-presos do regime militar.

13.dez.1968/Iconographia
O então ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva anuncia o ato AI-5 na Agência Nacional ao lado do locutor Alberto Cury
O então ministro da Justiça Luís Antonio Gama e Silva anuncia o ato AI-5 na Agência Nacional ao lado do locutor Alberto Cury

O presidente da comissão, Paulo Abrão, afirma que a proposta, ao revisar o tema, é discutir seus reflexos ainda bastante presentes na atualidade. Segundo ele, ainda há na sociedade uma "cultura do medo" que pode ser associado às barbáries cometidas durante o regime militar.

"A cultura de subserviência que o povo mais humilde ainda tem perante autoridades, entendendo que a participação na vida cidadã não é um objeto apropriado a toda a população. O estereótipo que os movimentos sociais ainda sofrem como subversivos, dentro de uma lógica que é do regime autoritário. O sentimento de injustiça que os brasileiros ainda têm sobre os torturados. Abusos das funções públicas em plena democracia, como a prática da tortura. Tudo isso ainda é reflexo do AI-5", afirma Abrão.

No julgamento de hoje, a comissão decidiu que o governo deve pagar indenização no valor de R$ 310 mil, mais R$ 2.000 mensais ao ex-militante de organizações armadas, Jorge Raimundo Nahas --preso, torturado e condenado por infringir a Lei de Segurança Nacional.

Délio de Oliveira Fantini, militante da organização Corrente Revolucionária, de Minas Gerais, também receberá a indenização do Estado. O valor estipulado para ele será de R$ 100 mil, sem remuneração mensal.

Já falecidos, os ex-deputados Paulo Macarini e Marcílio Doutel --que tiveram seus direitos políticos cassados durante o regime-- também foram anistiado e suas viúvas receberão indenizações no valor de R$ 100 mil.

"A importância [da anistia] é resgatar a honra e promover uma retratação pública por parte do Estado a essas pessoas", afirma Abrão.

Balanço

Criada em 2001, a Comissão da Anistia já recebeu 62 mil pedidos de anistia por casos de perseguição política ocorridas entre 1946 até 1988.

Até agora, a comissão informa já ter julgado 38 mil casos. Destes, 13 mil foram indeferidos e 25 mil deferidos --cerca de 10 mil com direito a indenizações. Nos demais casos, o requerente recebeu pedidos formais de desculpas por parte do Estado.

Comentários dos leitores
Leandro Gomes (47) 26/11/2009 22h45
Leandro Gomes (47) 26/11/2009 22h45
Só pelo ex-chefe do DOPS ser senador por São Paulo e o Paulo Maluf o deputado federal mais votado já dá pra saber que o país não é sério.
E justamente pelo país não ser sério que nenhum dos dois será punido.
sem opinião
avalie fechar
Eduardo Facchini (1) 26/11/2009 20h55
Eduardo Facchini (1) 26/11/2009 20h55
Nem tenho uma opinião definida sobre essa "ação civil pública ajuizada", e de fato talvez seja fora de hora. Comecei a ler os comentários dos leitores e aí sim, fiquei abismado, gente defendendo a Ditadura, como regime "ideal"... Gente falando besteira e elogiando o AI-5.
Eu sempre soube que tem muito maluco no Brasil, mais achei que eles eram mais retraídos e não se expunham tanto, estou vendo que estava equivocado e a coisa é bem pior.
Li um comentário de um leitor, de codinome Blade Runner que mais chamou minha atenção então transcrevo: "Esse fórum é assustador...Tentar defender o AI-5, ou os militares, guardadas as diferenças estruturais das corporações defendidas, é como defender a Klu-Klux-Klan...Tenho calafrios quando leio os apologistas dos militares..."
E por último gostaria de dar um conselho ao editor da folha, mesmo sabendo ser antiético, não dê espaço prá esse "povo" falar não... Já que eles gostam de DITADURA, mandem-nos escreverem receitas de bolo.
1 opinião
avalie fechar
Marido e mulher devem previnir-se, porque sua intimidade pode entrar na berlinda da disputa eleitoral. Já escrevi que esta eleição será a mais renhida que o Brasil já viu e, por isto, a mais suja. O que está acontecendo agora é café pequeno. Imagine-se que que virá com as pesquisas próximas à data da eleição. Quem disse que a justiça tarda mas não falha não advoga neste país abençoado por Deus e pela impunidade!!! sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (100)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca