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Brasil
14/12/2008 - 08h47

Índios isolados apóiam saída de arrozeiros da Raposa/Serra do Sol

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JOÃO CARLOS MAGALHÃES
da Agência Folha, na Raposa/Serra do Sol
MARLENE BERGAMO
enviada especial da Folha de S.Paulo à Raposa/Serra do Sol

No interior dos 1,7 milhão de hectares da terra indígena Raposa/Serra do Sol (RR), onde o STF (Supremo Tribunal Federal) deve decidir no ano que vem pela retirada da população não-índia, índios macuxis que já passaram a viver em isolamento aprovam a experiência.

A polêmica sobre a retirada dos não-índios se concentra na Vila Surumu, onde estão as propriedades de rizicultores como Paulo César Quartiero. Mas em quase todo o resto da Raposa/Serra do Sol o "homem branco" já foi embora -debandada que começou com a demarcação da terra, em 1998.

E, nas comunidades por onde a Folha passou, algumas a cerca de 200 km de estradas de terras de Pacaraima (RR), aqueles que os índios chamam de "invasores" não deixaram boas lembranças.

Mesmo morando nos casebres que sobraram dos antigos fazendeiros, com suas vias de acesso em péssimo estado e apenas com o atendimento mais básico de saúde, todos os índios entrevistados (sem a mediação de líderes envolvidos na disputa) se disseram felizes com o isolamento étnico.

Eles vivem da mandioca e do milho que plantam, do gado que criam --já são cerca de 40 mil cabeças, segundo a Funai-- e do diamante e do ouro que conseguem garimpar ilegalmente (leia texto nesta página).

Segundo disseram, só vendem o boi para fora quando precisam pagar dívidas.
"Ah, melhorou quase 100%", disse Danilo de Souza, 38, morador da Vila Socó, na região próxima à fronteira com a Guiana. "Antes, eles [os não-índios] não deixavam a gente ter nossa roça, batiam na gente. Foram passando cercas, tirando a gente da nossa terra."

Marcado a ferro

Outras pessoas também relataram agressões na época da presença de não-índios. De acordo com um agente da Funai na região, há até um homem ainda vivo que, antes da demarcação, foi marcado a ferro por um proprietário rural.

Segundo Souza, os índios eram empregados pelos fazendeiros. Mas recebiam muito pouco ou eram pagos com cachaça, popularizada pelas dezenas de garimpeiros que atuavam ali na década de 1980. "Trabalhei dois anos para eles e ganhei só um bezerrinho."

O processo de saída do "homem branco", afirmou Souza, só foi possível quando os índios da vila criaram um grupo apelidado de "Vai ou Racha", com apoio de missionários católicos que atuam na reserva.

Eles impediram os índios de beber e forçaram os fazendeiros a aceitar suas criações e lavouras. Até hoje o álcool está banido da comunidade.

Arco e flecha

Em direção ao norte, encontram-se índios com pouco contato com outras culturas, que falam suas línguas originais e ainda caçam e pescam com arco e flecha, algo impensável quando se vê os moradores da Surumu, onde muitos usam celular, tocadores de MP3 e roupas de marca --falsificadas.

"Comecei a aprender a atirar flecha há 11 anos", afirmou Maique José, 28, da comunidade Caxirimã, enquanto manejava seu arco. Quando adolescente, ele chegou a trabalhar em fazenda, só para aprender a criar gado sozinho.

Mas a retomada das tradições produtivas indígenas, que incluem o trabalho e o consumo coletivo, ainda sofre alguma resistência dentro das comunidades. "Tem pessoa que fica com frescura, não quer participar", disse Nunes da Silva, 24, também morador da Vila Socó.

Comentários dos leitores
Jonas Bastos (1) 26/11/2009 19h38
Jonas Bastos (1) 26/11/2009 19h38
É bom que Peru e Brasil tomem mais rapido possivel medidas duras para combater o narcotrafico,contrabando de armas, grupos de exterminios e etc,nas suas froteiras como é o caso da regiao do Alto Rio Solimoes esquecida pelo proprio estado brasileiro... sem opinião
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antonio lucio (1) 18/11/2009 13h13
antonio lucio (1) 18/11/2009 13h13
Será que os retardados mentais que defendem esta miliicia indigina, por tras disto esta as FARC e por tas delas o Chaves, o louco, o debiloide. Pelo amor de Deus. vc querem o que uma querrilha camponesa, entre os sem terra, seringueiros, agricultores, pequenos pecuaristas e os indiginas. Será um massacre atras do outro. O estado é quem que deve estar presente nestes conflitos, esta ai a PF, o Exercito. Agora temos um governo incompetente, irresponsável e incapaz de evitar as invações de terras indiginas ai é outra coisa. Daqui a pouco, vamos ter as milicias, dos seringueiros, dos sem terras (este já existe), dos pequenos pecuaristas e dos agricultores. Teriasmos ai um estado sem lei. Mais ano que vem temos oportunidade de mudar isto. Se Deus quiser vamos mudar e expulsar estes petistas do poder. e olhe quando eles sairem veremos o mar de lama sair das bocas dos bueros e acha lama e podridão. 1 opinião
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tereza rocha (3) 17/11/2009 20h28
tereza rocha (3) 17/11/2009 20h28
sem proteção os indios ficam a mercê de todos os perigos existentes na Amazonia.Agora as Farc tambem querem se aproveitar da fraqueza indigena. 2 opiniões
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